Intolerância e discurso de ódio contra minorias
Enviada em 22/10/2021
“O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles”. Nessa perspectiva, a afirmação atribuída à filósofa francesa Simone de Beauvoir é claramente aplicável à situação da intolerância e do discurso de ódio contra as minorias, ao considerar que mais danoso que essa realidade é a indiferença da sociedade perante a questão. Dessa forma, milhares dos brasileiros estão expostos diariamente a essa atmosfera de intransigência, o que representa uma afronta aos direitos humanos. Com efeito, há de se deliberar como a impunidade e o frágil cuidado com o próximo tem influência nessa questão.
É válido pontuar, de início, que a frágil aplicabilidade da lei é uma das principais causas para a manutenção dessa danosa realidade. A esse respeito, o filósofo Cícero disserta de ser a impunidade a melhor forma de perpetuar a injustiça. Nessa visão, a morosidade do sistema judiciário fomenta a manutenção desse quadro de patologia social, em que a demora na apuração dos casos e a dificuldade de identificar o agressor fazem com que essa contravenção não receba todo o rigor que a lei seguramente garante aos cidadãos, o que representa grave mazela. Dessa maneira, é indiscutível o quanto as ferramentas de intervenção do Estados são falhas e alimentam um dos mais graves problemas sociais: a cultura da impunidade.
De outra parte, a indiferença entre as pessoas figura como outro desafio. Acerca disso, a filósofa Hannah Arendt declara que um evento cotidiano e corriqueiro não provoca nos indivíduos nenhuma comoção. Nessa ótica, os crimes de ódio praticados contra as minorias da sociedade são, em sua grande maioria, conhecidos pela população, no entanto, devido ao estado de normose social, em que não se questiona as ações coletivas e não se busca compreender a extensão dos atos individuais representa, o que salienta Arendt, a “Banalização do Mal”. Nesse molde, enquanto a sociedade se portar de forma indiferente frente as demandas das minorias, a subversão dos direitos dessas pessoas permanecerão latentes no país.
É mister, portanto, que se desenvolva na sociedade brasileira a mentalidade de que se vive em uma democracia, e ela é permeada por diferenças. Para tanto, a escola - instituição responsável pela formação cidadã - deve, por meio de workshops e palestras, veicular conteúdos capazes de modificar a mentalidade dos jovens da nação. Essa medida poderá ser chamada de “Respeito as diferenças”, em que psicólogos colocarão em análise o dano causado por uma pessoa que tem uma conduta intolerante, a fim de que se forme, no Brasil, cidadãos mais conscientes de seus atos. Feito isso, muito em breve, a intolerância deixará de ser, conforme delata Beauvoir, uma prática escandalosa com base na difusão do conhecimento.