Intolerância e discurso de ódio contra minorias

Enviada em 03/06/2022

“A essência dos Direitos Humanos é o direito a ter direitos”. Essa frase, da filósofa Hannah Arendt, aponta para a importância de os direitos serem mantidos na sociedade. No entanto, no que concerne à intolerância e os discursos de ódio contra minorias, verifica-se uma lacuna na manutenção dos direitos humanos, o que configura um grave problema. Com isso, surge a questão da negligência à isonomia garantida em lei, que persiste intrínseca à realidade do Bras, seja pela falta de reflexão em escolas seja pela indiferença da população.

Convém ressaltar, a princípio, que a invisibilização de minorias, de cunho socioeconômico, racial, religioso, étnico e sexual, em instituições de ensino formadoras é um fator determinante para a carência de sensibilidade humana. Nesse sentido, o filósofo Schopenhauer defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo. Isso justifica outra causa do problema: se as pessoas não têm acesso à informação séria sobre equidade e diversidade social, sua visão será limitada, o que dificulta a erradicação da segregação e de manifestações odiosas.

Além do mais, ressalta-se que a omissão da população também configura-se como um entrave no que tange à questão da discriminação de grupos estigmatizados e em desvantagem social. Na obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman defende que a sociedade atual é fortemente influenciada pelo individualismo. A tese do sociólogo pode ser observada de maneira específica na realidade brasileira, no que tange à permanência da dominância de grupos intolerantes que padronizam a exclusão. Essa liquidez que influi sobre a questão dos discursos de ódio e da falta de empatia funciona como um forte empecilho para sua resolução.

Portanto, para que uma educação que mobilize a população para o combate ao discurso de ódio e à intolerância faça parte da realidade brasileira, medidas precisam ser tomadas. Para que isso ocorra, o MEC deve desenvolver palestras em escolas, a serem webconferenciadas nas redes sociais desses órgãos, por meio de entrevistas com vítimas e especialistas no assunto, com o objetivo de trazer mais lucidez sobre o tema e erradicar as manifestações odiosas. Dessa forma, os cidadãos atuarão ativamente por um Brasil que respeite as diversidades sociais.