Intolerância e discurso de ódio contra minorias

Enviada em 14/09/2022

Segundo a antropóloga francesa Françoise Héritier, a intolerância é restrigir a definição de humano aos membros do próprio grupo, os outros são considerados “não humanos”. Nesse sentido, indivíduos sentem-se livres para praticar atos de violência contra comunidades julgadas por eles como inferiores. Assim, em virtude desse pensamento foi possível presenciar na História a escravidão nas colônias da América e atualmente a ascensão de grupos extremistas em diversos países.

Nesse viés, em primeiro lugar, nota-se desde a colonização do Brasil um discurso etnocêntrico europeu, que resultou em um dos capítulos mais tristes da humanidade. Nesse contexto, a partir da “Carta de Pero Vaz de Caminha” ao descobrir o território brasileiro, mostra-se a intensão de catequizar e destruir culturalmente os habitantes indígenas. Além disso, durante mais de 300 anos foi usada mão de obra de escravos africanos e nativos. Dessa forma, os grupos que atualmente mais sofrem com discursos de ódio são justamente os povos explorados no passado e que não tiveram um amparo histórico do Estado brasileiro.

Junto a isso, corroborando o pensamento de Françoise Héritier, há uma ascensão de grupos extremistas no mundo. Exemplo disso é a chegada ao poder do grupo islâmico fundamentalista religioso no Irã, na década de 1980, como retratado na história em quadrinhos “Persépolis”, da roteirista Marjane Satrapi, de forma que as minorias foram massacradas e mortas pelo movimento. Tendo em vista que, esses grupos usam discursos de manipulação de massas, as redes sociais se tornam uma aliada no crescimento do extremismo, devido a facilidade de divulgação dessas mensagens.

Portanto, com o objetivo de tornar a sociedade brasileira mais segura politicamente e socialmente, o Poder Legislativo deve criar leis que punam membros de grupos extremistas ao se manifestarem a favor da violência contra minorias, por meio de discussões em conjunto com líderes de coletivos sociais, como grupos antirracistas, LGBTs e indígenas.