Intolerância e discurso de ódio contra minorias
Enviada em 31/08/2022
A eugenia foi uma pseudociência que defendia o controle social mediante a se-leção de características hereditárias consideradas “melhores” . Essa perspectiva serviu para excluir aqueles que eram vistos como “inferiores”, devido a condições socioeconômicas, fenotípicas ou mentais . Sob esse viés, nota-se que noções eu-gênicas ainda vigoram no Brasil por meio da intolerância e o discurso de ódio con-tra minorias. Destarte, destaca-se o preconceito enraizado na sociedade e a negli-gência estatal como agentes perpetuadores dessa ideologia e de seus efeitos.
Nesse contexto, segundo o antropólogo francês Claude Lévi-Strauss, só é pos-sível interpretar devidamente as ações coletivas quando se entende os eventos históricos. Diante dessa perspectiva, ressalta-se que o ódio propagado contra mi-norias apresenta raízes intrísecas ao passado escravocrata e patriarcal brasileiro. Dessa forma, esse cenário intolerante reproduzido por séculos serviu para nor-malizar atitudes preconceituosas, como a utilização de certos termos e expres-sões. Assim, a solução dessa problemática torna-se mais complexa, visto que é necessário desconstruir ideias impregnadas no corpo social.
Outrossim, evidencia-se que a Constituição brasileira desde seu prêambulo se compromete em estabelecer um país igualitário e livre de preconceitos. Contudo, observa-se que o Estado falha em erradicar falas e ações intolerantes, fato que consoante o sociólogo Zygmunt Bauman, o configura como uma instituição zum-bi, ou seja, apesar de tentar manter sua forma, ele perdeu sua função social. Des-se modo, a ineficácia estatal corrobora para que grupos como mulheres, negros, LGBTQIA+ entre outros, sofram diariamente com agressões físicas e psicológicas, que geram traumas e consequências muitas vezes irreversíveis.
Portanto, com o intuito de combater a intolerância e o discurso de ódio con-tra minorias, é imprescindível que o Ministério da Educação elabore ações socioe-ducativas. Assim, por intermédio de palestras em escolas, ministradas por espe-cialistas, como antropólogos, será possível extinguir preconceitos seculares. Ade-mais, o Ministério da Comunicação deve realizar campanhas informativas, por meio de anúncios em veículos midiáticos, que visem, por meio de uma linguagem simples, instruir a todos sobre seus direitos previstos na Constituição.