Intolerância e discurso de ódio contra minorias

Enviada em 12/09/2024

O funcionamento formal do discurso com teor valorativo passa pelo exame da remissão que permite a sua confrontação somada à evidência do limite interpessoal do outro, da pequena inconveniência ao discurso de ódio durante a conversação, quando expostos à “tolerância ilimitada” é a falta de contenção que apodera o intolerante a expor uma rechaçada discursivização do ódio àquilo que é diferente e pertence a um sistema valorativo diferente.

Ademais, a distorção do teor discursivo inicial cria um estilo comunicativo instável: as informações não são filtradas como deveriam ser e distorções por juízo valorativo são comuns ao discurso, portanto, fundamenta-se na sociedade contemporânea e midiática, certo desuso de palavras, por inibição de expressões encaradas como “gatilho” ou, até o oposto, o proveito com o uso marketeiro delas, no intuito de gerar movimentação, visualizações e propaganda por meio de gatilhos semânticos intencionais.

Primeiramente, vê-se que o estresse social gerado pela falta de filtro determina a falta de uma educação eletrônica. Para o filósofo Karl Popper, é a tolerância ilimitada um lado da mesma moeda, que significaria, o reprimir o intolerante um tipo de intolerância, geradas por condições de comunicação frágeis. Sob esse viés, O Paradoxo da Intolerância é válido para analisar o drama dos que convivem com a inflexibilidade de outras pessoas, pois é provável que eles pertençam a grupos divergentes, são minoria.

A princípio, é lícito destacar que o excesso de informação contribui para a construção de discursos de ódio, e por outro lado, muitos brasileiros são impedidos de dar sua opinião caso sugira dano ao próximo, porque a tolerância é limitada ao respeito mútuo. Isso posto, segundo o filósofo inglês Nick Couldry em sua obra “Por que a voz importa?”, a sociedade neoliberal hodierna tende a silenciar os grupos menos favorecidos, privando-os dos meios de comunicação seguros. A par disso, é indubitável que a verbalização como recurso semiótico permita o diálogo de classes, favorável ao caminho discursivo de acesso à intencionalidade implícita do marketing quando utilizado para disseminar discórdias. A construção da educação como resolução, é, assim, necessária.