Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais
Enviada em 16/07/2018
A liberdade de expressão, princípio constitucional que rompeu com a censura da ditadura militar, é o direito de manifestar ideias, opiniões e pensamentos pessoais sem ser ofensivos. Com o avanço da tecnologia, a intolerância e o discurso de ódio cresceu com a utilização das redes sociais. Seja pela noção de anonimato, seja pelas discriminações contra as minorias, a resolução dessa problemática é dificultada, o que configura um grave problema social.
É perceptível que o entendimento de proteção pela tela do computador afeta diretamente a intolerância por meio das redes sociais. O anonimato facilita e deixa os usuários confortáveis para expor qualquer opinião. Porém, o problema está quando o sujeito utiliza a falta de identidade para divulgar conteúdos de preconceito. Dessa maneira, a ignorância do indivíduo através da sua noção do falso anonimato, porque com denúncias é capaz de achar o autor do crime, gera a intolerância como afirma o filósofo Umberco Eco “Para ser tolerante é preciso fixar os limites do intolerável.”. Logo, urgem ações que diminuam o preconceito causado por usuários na internet.
Além disso, é notável que o número de denúncias contra discriminações envolvendo minorias na internet está crescendo cada vez mais. O discurso de ódio de homofóbicos, xenofóbicos, racistas e outros pode gerar até linchamento virtual por meio de mensagens hostis que se disseminam de forma rápida e tornam a vítima um alvo de agressões por motivos fúteis. Um grande exemplo é o caso de Júlia Gabriele, uma menina de 11 anos que foi execrada publicamente na sua rede social por causa de sua sobrancelha. Assim, a Era do Ódio Virtual pode afetar qualquer pessoa e em qualquer idade para ser vítima do cyberbullying e da discriminação, o que vai de encontro com a ideia do Homem Cordial de Sérgio Buarque de Holanda, pois, nessa relação social da internet, a impessoalidade é característica chave e a afetividade com o próximo se afasta cada vez mais. Assim, faz-se necessárias medidas que controlem a discriminação nas redes sociais.
A fim de reverter a problemática que envolve a intolerância e o discurso de ódio nas redes sociais, são necessárias algumas ações. Cabe à Secretária de Segurança Pública ampliar as delegacias especializadas em crimes virtuais, com eficiência, como nos estados do Paraná e de São Paulo. Além disso, é preciso orientar, por intermédio de palestras e debates em escolas, pois são instrumentos promotoras de criticidade, os jovens, que são os maiores usuários de redes sociais, a denunciar páginas que divulgam conteúdos discriminatórios. Assim será possível combater a intolerância e discurso de ódio nas redes sociais.