Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais

Enviada em 24/07/2018

Em meados do século passado, o escritor austríaco Stefan Zweig mudou-se para o Brasil devido à perseguição nazista na Europa. Bem recebido e impressionado com o potencial da nova casa, Zweig escreveu um livro cujo título é até hoje repetido: “Brasil, país do futuro”. Entretanto, quando se observa a intolerância e o discurso de ódio que os brasileiros propagam nas redes sociais, percebe-se que a profecia não saiu do papel.

Primeiramente, é preciso destacar que as redes sociais promovem uma falsa sensação de anonimato. Dessa maneira, as pessoas acham que podem escrever tudo que quiserem e assim, manifestam o ódio. De acordo com a pesquisa da ONG Safernet Brasil, cerca de 84% das menções negativas são sobre temas como racismo, homofobia e política, o que mostra a gravidade do problema. Um exemplo disso foi a jornalista da emissora Globo, Maju Coutinho, que foi vítima de comentários racistas em uma página no facebook no ano de 2017.

Além disso, seguindo a lógica do sociólogo Zygmunt Bauman, o homem atual é egoísta e sem empatia e, por isso, tem dificuldade de compreender e respeitar o próximo. Ou seja, percebe-se que a intolerância presente no Brasil é um problema forte na hodiernidade e a causa principal da existência do discurso do ódio. Sendo assim, as redes sociais servem como mecanismo para espalhar ideias ofensivas que estão presentes na mentalidade da população, a qual, no país, já possui um histórico de preconceito e hoje convive com polarizações e extremismos políticos e econômicos.

Fica claro, portanto, que para que haja a solução desse problema, a mídia deve, através de ficções engajadas, expor as consequências prejudiciais do discurso do ódio na vida das vítimas e exemplificar formas corretas de lidar com a situação. Ademais, as instituições de ensino, em parceria com as ONGs, devem promover palestras, discussões e até projetos que envolvam a questão da consciência na manifestação de ideias. Desse modo, talvez, a profecia de Zweig torne-se realidade.