Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais
Enviada em 28/07/2018
A realidade por trás da liberdade: intolerância
Vive-se em uma sociedade cujo principal direito defendido é o da liberdade de expressão. No entanto, o uso deste como justificativa para a proliferação de discursos de ódio evidencia um novo panorama nas relações sociais em que, não apenas no mundo real, mas também no virtual, a intolerância é potencializada.
À luz de Foucault, em sua obra “História da Loucura”, há duas normas estabelecidas pelas sociedades no mundo: o “normal e o “anormal”, sendo o primeiro tudo aquilo que se adequa a padrões sociais vigentes, em oposição ao “anormal”. Nesse sentido, tal ideia se concebe como base de um movimento de egocentrismo e necessidade de pertencimento do homem em relação aos demais, provocando, desta forma, atitudes desmoralizantes e intolerantes que, quando questionadas, encobertam-se pelo mau uso da liberdade de expressão.
A partir do pensamento foucaultiano, nota-se, portanto, a amplificação do discurso de ódio já existente na realidade para o meio virtual, sendo viabilizada, principalmente, pelo uso das redes sociais com seu grande potencial de impacto. Nos últimos anos, o número de denúncias de ordem discriminatórias contra minorias, via Internet, cresceu exponencialmente, tornando-se perceptível a facilidade de difusão de ofensas diretas e indiretas cometidas por internautas.
O sentimento de segurança oferecido pelas redes devido ao exercício do anonimato contribui de maneira significativa na manutenção do ódio, visto que, ao se ter a identidade preservada, após uma denúncia, uma possível punição ao ofensor é drasticamente reduzida, possibilitando uma maior área de atuação e dimensão ao problema.
Diante dos fatos supracitados, faz-se necessário a atuação conjunta do Governo Federal e da Mídia no esclarecimento do real conceito de liberdade de expressão, o qual carrega em si a liberdade de se manifestar sem que ofenda o outro, reduzindo, desta forma, atitudes intolerantes na sociedade. Ademais, é imprescindível o posicionamento dos desenvolvedores de redes sociais no banimento automático por 15 dias de usuários que firam os Direitos Humanos, tornando, assim, a rede um espaço mais seguro e respeitoso.