Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais

Enviada em 09/08/2018

O Brasil é hoje conhecido mundialmente por ser um país muito miscigenado e dotado de uma pluralidade étnica e cultural ímpar.Além disso, a atuação do país na resolução de conflitos diplomáticos mundiais criou o mito da “cordialidade brasileira”.Em contraponto a esse esteriótipo, percebe-se atualmente o crescimento do discurso de ódio, potencializados pelo poder de propagação das redes sociais.Desse modo, há o surgimento de um grande impasse para a democracia brasileira, na qual preconceitos são externalizados na forma de opiniões, sem que haja consequências.

A internet é um reflexo virtual da sociedade, de forma que acaba dando o suporte necessário para a disseminação de preconceitos enraizados e posições extremistas.Segundo o projeto Comunica que muda, 84% de menções e comentários acerca de temas como política, racismo e  misoginia apresentavam abordagens negativas.Assim, pode-se observar que na atual realidade brasileira há o predomínio da intolerância, a qual é exacerbada pela sensação aparente de anonimato e falta de regulação presente nas redes sociais.

Em razão da crença equivocada de que a internet é “uma terra de ninguém”, os usuários sentem-se livres para divulgar ideias contrárias aos direitos humanos e atacar pessoas com opiniões divergentes.É muito comum em sites como o Facebook a criação de grupos compostos por pessoas que seguem uma mesma ideologia e que se organizam para injuriar e atacar seus oponentes políticos, por exemplo, mesmo que o ato seja considerado criminoso.

Portanto, torna-se imprescindível a tomada de medidas que amenizem a crescente onda de intolerância no Brasil.Em primeiro lugar, é necessária a criação, por parte da Polícia Federal, de mais delegacias especializadas em crimes cibernéticos, de modo que a punição de crimes como preconceito racial seja garantida.Além disso, é fundamental que as escolas realizem debates acerca da importância da diversidade com o objetivo de criar uma sociedade mais justa, correspondente ao mito do “Brasil cordial”.