Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais

Enviada em 16/10/2018

Muito se tem discutido, ultimamente, acerca da utilização das redes sociais para difundir o discurso de ódio contra as minorias em geral. No Brasil, esse cenário tem se mostrado persistente e é reflexo de uma sociedade a qual prevalece a intolerância e a ignorância do indivíduo frente aos seus direitos quanto cidadão.

A priori, o restabelecimento da democracia brasileira é recente, visto que há exatos 30 anos foi promulgada a atual Constituição do país. Esse tempo, em comparação com outros estados democráticos já consolidados, como os Estados Unidos, ainda não foi o suficiente para o amadurecimento completo da política entre os brasileiros, haja vista que a maioria desconhece o conjunto de leis que os rege. Consequentemente, sem respaldo do conhecimento jurídico, aumenta-se a violação das leis, em especial, àquelas de preservação da diversidade. Com isso, a intolerância e o discurso de ódio tem perpetuado.

Ademais, para agravar a questão, alguns argumentam em defesa própria que sua manifestação nas redes sociais é legitimada pela liberdade de expressão. Contudo, esse pensamento é incorreto, pois o discurso de ódio fere os Direitos Humanos no quesito da dignidade do homem, enquanto a livre manifestação é considerada um ato legal desde que não haja desobediência à Lei. Quando alguém, por exemplo, expõe outra pessoa na internet de forma negativa porque ela é negra, fato o qual a jornalista Maria Júlia Coutinho foi vítima, é crime por racismo, não liberdade de opinião.

Diante do exposto, medidas para mitigar a intolerância são necessárias. Uma dessas deve ser a do Ministério da Educação, por meio do repasse de verba da União, investir numa campanha nacional em defesa da diversidade e dos Direitos Humanos. Para que isso seja possível, essa camanha deve ser dirigida ao corpo pedagógico de todas as escolas do país, com o intuito de estimulá-lo a trazer para sala de aula o debate sobre respeito ao próximo, além de apresentar para os estudantes a Constituição Cidadã de 1988. Dessa maneira, a sociedade poderá estar a par de seus direitos, assim como ser mais tolerante  quanto as minorias sociais.