Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais

Enviada em 05/09/2018

Com a Revolução Industrial ocorrida na Inglaterra no século XVIII, muitas inovações tecnológicas surgiram, dentre elas, a Internet. Logo, essa nova rede facilitou a troca de informações para fins comerciais e militares, porém, também possibilitou o surgimento dos discursos de ódios no meio sociodigital. A partir dessa premissa, cabe analisar a construção social dessa prática e porquê ela se manifesta tão facilmente no meio digital.

Em primeiro plano, é importante analisar como surgiu as mensagens de ódio e seu contexto. Suas primeiras aparições vieram no século XIII, com o surgimento do ‘‘Trovadorismo’’ e suas cantigas satíricas. Essas cantigas dotavam de graus elevados de ironia, sarcasmo e palavrões, ocorrendo críticas mazelas da sociedade, como comportamentos políticos, sexuais e mulheres de hábitos imorais. No entanto, em relação aos ataques odiosos na internet, nada mais seria que uma cantiga de maldizer na idade média.           Também merece destacar, a propagação célere de ataques nas redes sociais. De acordo com o conceito de “banalidade do mal”, proposto pela filósofa Hannah Arendt, a pior maldade deriva da irreflexão.  Sob esse viés, práticas cotidianas e aparentemente inofensivas, como curtidas e compartilhamento de postagens relacionadas ao “cyberbullying”, por exemplo, são extremamente prejudiciais e encorajam a persistência de tais ações. Diante disso, para combater a problemática, é imperativo repensar comportamentos diários.

Cabe, portanto, às corporativas responsáveis pelas redes sociais elaborar mecanismos de denúncia, além de contratar funcionários para monitorar as postagens irregulares e retirá-las de circulação. A partir disso, as vítimas teriam um sistema rápido e eficiente para recorrerem em um primeiro momento. Ademais, o Ministério da Justiça poderia criar delegacias e centros de investigação especializados em crimes virtuais, a fim de minimizar as ocorrências e evitar a impunidade do discurso de ódio e, com isso, reduzir a sua disseminação. Por certo, sob a ótica da teoria de Hannah Arendt, perfaça-se uma nação livre das mazelas da intolerância.