Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais

Enviada em 28/09/2018

É chamado discurso de ódio determinada mensagem que busca promover a incitação a discriminação, hostilidade e violência contra uma pessoa ou um grupo em virtude da raça, religião, nacionalidade, orientação sexual, gênero, condição física ou outra característica. Nesse contexto, há dois importantes fatores que devem ser levados em consideração: os limites da liberdade de expressão e a falta de conhecimento social perante as leis vigentes.

Primeiramente, é válido ressaltar que por vezes, as redes sociais validam discursos intolerantes. Isso ocorre, em virtude do errôneo pensamento social de que internet é uma “terra sem lei”, usando de tais meios para propagação de discriminações. Todavia, a liberdade de expressão não é um direito absoluto, apresentando limites constitucionais quando violado os direitos fundamentais do homem. Como consequência, essa divergência de pensamentos encontra nas redes uma forma de se efetivar, desmoralizando e acarretando inúmeros problemas às vítimas dessas inferências.

Ainda, a frase machadiana que cita o homem sendo um ser desprovido de virtudes encaixa-se à conjuntura supracitada. Isso porque, o egoísmo social muitas vezes, se opõe a aceitação do diferente, compactuando com a problemática. Segundo Bauman, a maioria dos problemas da sociedade pós-moderno está ligado ao individualismo, trazendo consigo a falta de empatia. Consequentemente, diante a uma visão egocêntrica o indivíduo perpassa consciências alheias, imputando crimes cibernéticos, muitas vezes sem nem ter conhecimento.

É evidente, portanto, que ainda há entraves perante a questão referida. Sendo assim, cabe ao governo em parceria a mídia promover campanhas que notabilize a população do quão danoso pode ser um comentário agressivo, visando a conscientização de seus limites e crimes acarretados. Ademais, cabe aos órgãos governamentais competentes a efetivação da lei-decreto 2.484/20, que trata de casos como cyberbully, a fim de que a questão seja revertida de forma positiva. Afinal, como citou Jean-Paul Sartre: “a violência, seja qual for a maneira como ela se manifesta, é sempre uma derrota.”