Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais
Enviada em 04/11/2018
Os diferentes tipos de preconceitos sempre existiram na sociedade, visto que eles são originalmente oriundos das diferenças individuais. No entanto, tais comportamentos foram minorados com o desenvolvimento humano, seja pela tolerância e respeito às diversidades, seja pelo medo de retaliações. Entretanto, essa tendência vem sendo abandonada, em razão da popularização das redes sociais, as quais abriram espaço para o crescimento no número de casos de intolerância denunciados. A causa dessa estatística está relacionada a relativa sensação de anonimato ofertado por aquelas ferramentas e pelo contexto político atual.
Nota-se, nesse ponto, a influência de grupos extremistas na comunidade internacional, os quais, com o ganho de poder nos últimos anos, vêm dando “legitimidade” aos ataques preconceituosos. Isso pode ser visto nos EUA, onde o número de ataques aos judeus aumentou 57% entre 2016 e 2017, segundo reportagem da Veja. Ou seja, no momento em que Trump foi eleito presidente a onda de casos envolvendo intolerância cresceu juntamente com o conhecimento maior da sociedade de atos misóginos e racistas atribuídos ao republicano. Com isso, os comportamentos moralmente deploráveis desse indivíduo criaram espaços para pensamentos controversos, mesmo aqueles não compartilhados pelo presidente.
Não obstante, as redes sociais ofertam um meio de propagação com relativa proteção para os usuários mal intencionados, animando-os para atacar minorias. Tal realidade é comprovada pelo levantamento da ONG Safernet, que aponta um aumento de mais de 200% no número de denúncias relacionadas ao problema, entre os anos de 2010 e 2013, momento de grande crescimento do Facebook e outras ferramentas desse espectro. Assim, a sensação de proteção em rede vem proporcionando uma superação do medo de retaliações existente no “mundo real”, mas que no virtual tem chances muito menores de acontecer, seja pela baixa fiscalização, seja pelos políticas de proteção de dados dos indivíduos daquelas redes.
Dessa forma, o discurso de ódio deve ser debatido continuamente na sociedade, partindo do ensino fundamental até o público adulto. Isso pode acontecer via inclusão de projetos de reconhecimento das particularidades pessoais pelo MEC nas aulas de sociologia e história e programas de incentivo a tolerância nas mídias, por meio do Ministério da Cultura. Essas ações têm como finalidade a diminuição do desrespeito ao diferente, por meio do reconhecimento dos modos de agir e pensar das minorias. Além disso, as redes sociais devem aumentar a fiscalização do conteúdo compartilhado, por meio de algorítimos que identifiquem postagens preconceituosas, denunciando-as aos organismos legais.