Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais
Enviada em 08/10/2018
Segundo Pierre Lévy, estudioso do ciberespaço, tudo aquilo que é feito na internet tem influência na memória coletiva. de fato, o meio virtual tornou-se um espaço coletivo, no qual o ser humano pode assumir tanto uma posição de receptor da informação, como também uma posição ativa, propagando ideias e discursos. Todavia, apesar de ser um espaço aparentemente sem restrições, muitos cidadãos a utilizam para propagar discursos de ódio e intolerância, que apesar de não ser restrito à internet, tem sido potencializado por ela. Dessa forma, estabelecer limites para o que é exposto na internet, bem como educar os cidadãos para o respeito ao outro, é fundamental para vencer essa problemática.
Convém ressaltar, a princípio, que embora o meio digital possibilite a livre circulação de ideias e uma maior liberdade de expressão, muitos cidadãos abusam do exercício dessa. Haja vista que ao propagar discursos de ódio e desrespeito a uma pessoa ou grupo, segundo preceitos de raça, orientação sexual ou outra característica, não está somente legitimando a violência, mas também violando um direito humano básico que é a dignidade humana. Consoante a isso, devido a essa virtualidade, os usuários ao externarem a promoção de ódio apoiam-se na ideia, equivocada, do anonimato e impunidade. Desse modo, garantir o reconhecimento das leis é uma forma de estabelecer limites para o que é exposto na rede digital.
Por outro lado, a hostilidade e discriminação aos indivíduos considerados diferentes não é fruto da era informacional. Visto que, no Brasil, desde a abolição da escravidão dos negros, há uma discriminação velada no país. Isso pode ser comprovado, quando se menciona o aumento dos discursos racistas sobretudo, nas redes sociais como o Facebook e Instagram. No qual, os negros são alvo de chacotas e comparações que visam a reduzi-lo à condição de objeto. Sendo um exemplo disso, a apresentadora Maju que sofreu ataques racistas nas redes sociais por ser uma profissional negra que não estaria qualificada para trabalhar em um jornal de grande circulação. Diante disso, é pertinente repensar os comportamentos dos cidadãos frente à era virtual.
Portanto, percebe-se que para diminuir os discursos de ódio nas redes sociais, deve-se promover uma monitoria, através da contratação de funcionários pelas empresas como o Facebook e Instagram para fazer monitorias e retirar postagens com conteúdos irregulares, seja de cunho preconceituoso ou racista. Além disso, é cabível a existência de delegacias especializadas em crimes virtuais, para garantir que as leis presentes no Marco Civil sejam cumpridas. Pois, apesar de ser válido expor o que se pensa, é essencial preservar a imagem do outro, visto que é através do respeito que o mundo virtual será um espaço democrático e de grande influência na memória coletiva como preconizava Lévy.