Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais

Enviada em 03/10/2018

Segundo dados da revista Carta Capital, por dia são efetuadas cerca de 2,5 mil denúncias de crimes virtuais no Brasil e, desse total, 63% das acusações enquadram-se no discurso de ódio nas redes sociais. Nesse sentido, percebe-se que a liberdade de expressão - direito assegurado pela Constituição Federal de 1988 - vêm sendo utilizada de forma equivocada para legitimar premissas preconceituosas e discriminatórias. Assim, faz-se imprescindível uma análise crítica acerca dessa problemática nacional.

Em primeiro plano, é preciso ressaltar a ineficaz preparação da escola na atuação crítica dos estudantes na internet. Isso ocorre porque, os colégios estabelecem poucos elos entre o cotidiano escolar e o meio virtual, dessa maneira, raramente se abre espaços para a discussão de temáticas que permeiam as redes sociais. Logo, nota-se uma ausência de consciência crítica desses alunos, propiciando um aumento dos discursos de ódio.

Ademais, a cultura brasileira é, historicamente, marcada pela intolerância. Isso é perceptível ao analisar a trajetória de repressão e marginalização das minorias na sociedade brasileira. Por isso, em razão da herança das raízes coloniais e patriarcais, principalmente, negros e mulheres tornam-se alvos dos discursos intolerantes nas redes sociais. Sendo assim, tal intolerância sempre existiu, porém a internet potencializou e disseminou esse discurso.

Fica claro, portanto, que a liberdade de pensamento encerra-se quando essa ofende e discrimina, e para que isso se concretize é preciso compor medidas que acatem a origem do impasse. Para isso, o Ministério da Educação em parceria com as instituições escolares, públicas e privadas, deve promover trimestralmente o ‘‘Dia de combate ao ódio virtual’’ que seriam dias de discussões e debates com os estudantes - a partir do nono ano do Ensino Fundamental - junto aos familiares e pedagogos para tratar da história das minorias, como o movimento das sufragistas, e abordar exemplos reais como o caso de racismo envolvendo a jornalista Maria Júlia Coutinho a fim de minimizar os casos de intolerância virtual.