Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais
Enviada em 03/10/2018
Segundo Voltaire, filósofo iluminista, deve-se defender a pluralidade de ideias independente do posicionamento político do outro, a fim de garantir uma sociedade igualitária. Embora as nações democráticas tenham instituído a máxima do francês como base das Constituições, visando a harmonia entre os cidadãos, há no Brasil a deturpação do uso da liberdade para disseminar o ódio na internet. Nesse sentido, a intolerância, embasada no direito de expressão, e a polarização política são os principais empecilhos no combate às agressões nas redes sociais.
Nesse contexto, a tentativa de justificar a propagação do discurso de ódio, com a liberdade proposta na Carta Magna do país, influencia a problemática. A presença de comentários de cunho racista, homofóbico, machista e xenofóbico nas postagens de figuras públicas e artistas evidenciam a utilização do suposto direito à opinião para compartilhar agressões arbitrárias nas comunidades virtuais. Diante disso, contraria-se o conceito de sociedade, proposto por Aristóteles, pois, em vez dos cidadãos buscarem formas de conviver de forma harmônica, disseminam mensagens agressivas. Logo, percebe-se a dificuldade dos brasileiros em lidar com a diversidade na internet, demonstrando a intolerância.
Ademais, a polarização política promovida nas redes sociais estimula um ambiente hostil nesse meio. O fato de os indivíduos divulgarem ofensas a outros nos aplicativos de interação, como o ‘‘Facebook’’ e ‘‘Twitter’’, devido às discordâncias ideológicas, explicita o crescimento de uma sociedade na qual se remete a extremismos políticos. Isso ocorre porque, desde as manifestações de 2013, houve maior engajamento de participação nos assuntos referentes ao social que somado ao evento de impeachmente da presidente Dilma Rousseff influenciou a adoção de vertentes radicais, ocasionado pelas oposições. Dessa forma, o mundo virtual reflete os comportamentos radicais presentes entre os cidadãos, gerando conflitos severos.
Portanto, a intolerância e o radicalismo político dificultam o combate aos discursos de ódio existentes na internet. Por isso, torna-se necessário que as instituições educacionais estimulem palestras sobre o respeito à diversidade, por meio de debates com especialistas, como sociólogos e filósofos, uma vez que são fundamentais na análise comportamental do cidadão perante a sociedade, a fim de diminuir as agressões nas redes sociais. Outrossim, cabe ao Ministério da Tecnologia estimular um ambiente mais ameno no âmbito virtual, por intermédio de propagandas nos próprios aplicativos de interação, como ‘‘Facebook’’ e ‘‘Twitter’’, com o intuito de fomentar o cumprimento da Constituição Federal de livre manifestação política, no entanto sem ferir a integridade dos indivíduos.