Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais
Enviada em 09/10/2018
Habermas, filósofo e sociólogo Alemão, abordou em suas obras sobre a ética da discussão, a relevância de debates que promovam uma evolução mútua e sobre como o diálogo em si é mais importante que o convencimento do interlocutor. No entanto, o que pode ser observado no Brasil atual são discursos de ódio, intolerantes e discriminatórios, sobretudo nas redes sociais, que configuram um quadro caótico de falta de respeito, que pode gerar consequências irreversíveis.
Nesse aspecto, apesar da liberdade de expressão ser um direito adquirido e assegurado pela Constituição Federal de 1988, ela pode ser usada para expressar ideias e convicções, desde que não afete o direito legítimo de terceiros. Entretanto, “posts” e comentários misóginos, homofóbicos, racistas, que incitam o ódio, desrespeitam posições políticas e denigrem a aparência de inúmeras pessoas são cada vez mais comuns e alcançam cada vez mais pessoas.
Dessa forma, como exemplo, pode-se citar o processo eleitoral brasileiro deste ano, em que discursos que incitam a violência e a intolerância mobilizaram inúmeras pessoas, e o não respeito à posições partidárias provocou, entre outros problemas, o assassinato de um mestre de capoeira em Salvador, que apoiava o partido contrário ao do agressor. Além disso, segundo a psicoterapeuta e professora da Universidade de São Paulo, Cecília Prado, o número de pessoas que precisam de acompanhamento médico por serem diretamente afetadas pela intolerância e pelas críticas irresponsáveis, sobretudo relacionadas à forma física e orientação sexual, é cada vez maior, além dos casos mais extremos, que envolvem tentativas de suicídio e graves depressões.
Fica evidente, portanto, a necessidade do Ministério da Educação, através das escolas, promover debates e palestras, direcionadas a toda comunidade escolar, visto que os jovens e adolescentes são os principais usuários das redes sociais, sobretudo facebook, instagram e twitter, que orientem sobre a necessidade de se respeitar diferenças, ser responsável ao fazer uso desses meios de comunicação e denunciar, sendo a vítima ou não, por meio do Disque 100, sempre que necessário, para que a internet seja um meio que promova discussões saudáveis e evolução mútua, assim como Habermas acredita que deva ser.