Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais
Enviada em 04/10/2018
A consolidação da internet como uma importante plataforma de comunicação decorre das intensas inovações tecnológicas popularizadas no século XXI. O território cibernético já é explorado pela maioria dos cidadãos brasileiros e constituiu-se como parte indissociável das relações sociais. No entanto, apesar de seu caráter lúdico e dinâmico, o preocupante fenômeno está em ascensão: os discursos de ódio intensificaram-se nas redes e estão associados ao aumento da popularidade de ideais de extrema direita que pregam a intolerância.
Nesse sentido, é importante ressaltar que a condição de anonimato ou de exposição parcial do perfil que atua na internet estimula as manifestações polêmicas que seriam consideradas anti éticas e poderiam causar danos materiais ao comunicador caso fossem proferidas em ambiente externo à rede. Em muitos casos, essas manifestações são de cunho político e atacam populações minoritárias, como os negros, os imigrantes, as mulheres, e a população LGBT. Porém, devido às dificuldades de identificar e punir discursos com esse teor que, inclusive, são considerados crimes, observa-se um intenso compartilhamento e até um respaldo positivo por parte da sociedade, o que representaria, segundo a filósofa Hannah Arendt, a banalização do mal.
Além disso, a internet possui a capacidade de agregar grupos sociais em torno de discussões e ideias em comum por meio das redes sociais. Tal movimento resulta na formação de bolhas sociais, que são ambientes cibernéticos ocupados por uma única perspectiva ideológica, garantindo àqueles que estão inseridos a sensação de veracidade e hegemonia. Porém, como a historiografia registrou os prelúdios e consequências da ascensão dos partidos populistas de extrema direita em meados do século XX, compreende-se essa situação como preocupante, pois, a banalização do discurso de ódio contra minorias e a formação de grupos autoritários em torno dessas ideias é uma característica presente na conjuntura atual e também na Alemanha nazista e Itália fascista do período entre guerras.
Sendo assim, o Governo brasileiro precisa agir imediatamente para punir e democratizar o ambiente cibernético. Primeiramente, deve-se investir na agência brasileira de inteligência (ABIN), para que ela consiga mapear e disponibilizar os dados dos perfis que compartilham o ódio e incitam a violência na internet à Polícia Federal, que deverá investigar e punir tais atos. Além disso, o Ministério da Educação precisa promover aulas e debates na sociedade civil sobre as problemáticas sociais envolvidas na internet com fim de desestimular ações intolerantes. Dessa forma, trata-se devidamente um assunto sério e preocupante que poderia representar uma ameaça à garantia dos direitos humanos.