Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais
Enviada em 05/10/2018
Segundo dados da revista Carta Capital, por dia são efetuadas cerca de 2,5 mil denúncias de crimes virtuais no Brasil e, desse total, 63% das acusações enquadram-se no discurso de ódio nas redes sociais. Nesse sentido, percebe-se que a liberdade de expressão vem sendo utilizada de forma equivocada para legitimar premissas preconceituosas e discriminatórias. Isso ocorre devido a insuficiente formação crítica dos indivíduos na escola e a intolerância enraizada na cultura brasileira. Assim, convêm analisarmos as causas dessa problemática.
Em primeiro plano, é preciso ressaltar a ineficaz preparação da escola na atuação crítica dos estudantes na internet. Isso ocorre porque os colégios estabelecem poucos elos entre o cotidiano escolar e o meio virtual. Dessa maneira, raramente se abrem espaços para a discussão de temáticas que permeiam as redes sociais. Logo, nota-se uma ausência de consciência crítica desses alunos, propiciando uma aumento dos discursos de ódio.
Ademais, a cultura brasileira é, historicamente, marcada pela intolerância. Isso se faz perceptível ao analisar a retórica do antropólogo Darcy Ribeiro que relaciona a tardia abolição da escravidão ao atual cenário discriminatório do país. Em suma, por conta da herança das raízes coloniais e patriarcais, principalmente, negros e mulheres tornam-se alvos dos discursos intolerantes nas redes sociais. Sendo assim, tal intolerância sempre existiu, porém a internet potencializou e disseminou esse discurso.
Fica claro, portanto, que é preciso compor medidas que acatem a origem desse impasse. Por isso, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com instituições escolares, públicas e privadas, promover trimestralmente o ‘‘Dia de combate ao ódio virtual’’. De maneira que ocorressem discussões e debates com os estudantes - a partir do nono ano do Ensino Fundamental - - junto aos familiares e pedagogos para tratar da história das minorias, como o movimento das sufragistas. Além disso, nessas palestras, deve-se abordas exemplos reais como o caso de racismo envolvendo a jornalista Maria Júlia Coutinho, a fim de minimizar os casos de intolerância virtual.