Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais
Enviada em 01/11/2018
A filha adotiva de apenas 5 anos dos atores Bruno Gagliasso e Giovanna Ewbank sofreu ataques racistas por meio das redes sociais dos pais em 2017. Nesse contexto, percebe-se que a intolerância e o discurso de ódio nas redes sociais já fazem parte da realidade brasileira. Sob essa ótica, tal problemática perpetua-se tanto por conta da negligência do Estado quanto da herança histórico-cultural, o que configura um grave problema social. Com efeito, evidencia-se a necessidade de reverter o quadro a fim de alcançar uma sociedade mais harmônica.
Em primeiro plano, a negligência do Estado é motivada pela morosidade da justiça. Nesse sentido, a lentidão no andamento dos processos de crime de ódio virtual prova que a União está se tornando obsoleta. Nessa lógica, uma vez que a organização não garante a justiça através do cumprimento das leis e tolera a impunidade aos que as transgridem, não está mantendo a ordem. Sendo assim, pode ser vista como uma Instituição Zumbi, como classifica Zygmunt Bauman as organizações que não desempenham sua função de maneira eficiente. Ademais, por conta da facilidade da criação de perfis falsos, os crimes se multiplicam, tornando ainda maior a demanda de denúncias. Em consequência disso, cria-se um círculo vicioso que, se não for interrompido, será irresolúvel.
Outrossim, a herança histórico-cultural do período colonial do Brasil ainda reflete na hodiernidade. Destarte, a intolerância portuguesa tomou conta do território do país ao impôr sua cultura aos indígenas. Desse modo, tal padrão foi incorporado socialmente e naturalizado. Sendo assim, os indivíduos reproduzem o comportamento ao longo do tempo. Nesse ínterim, uma grande quantidade de pessoas é influenciada, como prevê a teoria do Habitus de Pierre Bourdieu. Por conseguinte, o discurso de ódio é legitimado e, dado que as gerações mais novas já nascem em um cenário globalizado no qual a tecnologia está inserida no cotidiano, torna-se frequente o uso das redes sociais para viabilizar o ato.
Portanto, é imprescindível que medidas sejam tomadas com para de transfigurar a conjuntura atual. Assim, no que tange à negligência do Estado, cabe ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações em parceria com o Poder Judiciário, aprimorar o sistema de denúncias vigente através da criação de aplicativos para celulares que auxiliem no envio de provas e registro da acusação. Dessa forma será possível desburocratizar e acelerar o processo de julgamento de cada caso. Além disso, no que diz respeito à herança histórico-cultural, é dever do Ministério da Educação desconstruir o preconceito através da elaboração de palestras que desenvolvam a empatia nos estudantes e demonstrem as possíveis consequências de um crime de ódio virtual na vida de uma pessoa. Só assim será possível reduzir ao máximo a intolerância. Afinal, somente através da ação haverá a evolução.