Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais
Enviada em 15/10/2018
No limiar do século XXI, o discurso de ódio nas redes sociais configura um grave problema social que assola o cotidiano pós-moderno da inconsistente conjuntura brasileira. Tal violação da integridade social acontece de modo velado e dissimulado, ainda que exista mecanismos de inibição. Nesse ínterim, analisa-se que os casos de manifestações de ódio na internet demandam preocupação constante, haja vista que são máculas inerentes ao Brasil oriundas de dois aspectos que se designam relevantes: as influências culturais e a prática do estigma social. Diante disso, faz-se necessário ponderar os motivos dessa ultrajante situação que vigora no país.
A princípio, percebe-se que o discurso de ódio se deve a questões culturais. Sob a perspectiva do francês Pierre Bourdieu, em sua teoria do Habitus, a sociedade incorpora, naturaliza e reproduz as estruturas sociais impostas à sua realidade. Partindo desse pressuposto, nota-se que a herança histórico-cultural da intransigência contra as diferenças, permeada por desigualdades sociais, é ratificada ao se ressaltar que de acordo com dados da ONG Safernet, aumentou em mais de 200% o número de denúncias contra páginas que divulgaram conteúdos de discriminação das minorias. Nesse contexto, conclui-se que a permanência dessas transgressões nas redes sociais é o reflexo de uma sociedade primordialmente corrompida.
Outrossim, é importante salientar a presença do estigma como intensificador do impasse. Sob a perspectiva do sociólogo Erving Goffman, a sociedade deteriora e marginaliza a identidade de indivíduos fora dos padrões sociais, o que evidencia a “comunidade estigmatizada”. De forma análoga, os chamados haters – odiadores -, disseminam discursos preconceituosos e intolerantes na internet, dando margem para o cyberbullying. Nesse âmbito, verifica-se que o estigma causa desagregação social e prejuízos para pessoas e comunidades.
Infere-se, portanto, que o discurso de ódio é um mal para a sociedade. Sendo assim, convém ao poder legislativo, visto que a legislação atual é insuficiente para coibir esse tipo de discurso, realizar a sanção de uma nova Lei, para que se possa criminalizar esses atos de ódio. Destarte, cabe as instituições de ensino o dever de instruir as gerações futuras, por meio de palestras e debates, sobre os preconceitos sociais, promovendo a compreensão da importância das diversas variantes. Assim, será possível construir uma sociedade mais digna e igualitária.