Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais

Enviada em 13/10/2018

Segundo o sociólogo alemão Karl Marx, as transformações ao longo da história ocorriam quando as contradições inerentes ao bom funcionamento da vida em sociedade, tornavam-se insustentáveis. Não obstante, no presente, os frequentes discursos de ódio nas redes sociais, haja vista a sensação de impunidade no espaço digital, assim como a disseminação instantânea de conteúdos danosos contribuem para as contradições mais perversas em uma sociedade democrática.

Em uma primeira análise, é factível que a permanência de preconceitos culturais caracteriza-se como engrenagem aos discursos desrespeitosos na internet. Nesse âmbito, em consonância com o filósofo Focault, “Normal” seria tudo aquilo que está dentro das normas padrões, já “Anormal”, aquilo que é marginalizado, logo tudo que foge dos padrões é perseguido. Sob esse prisma, a internet, por representar um pretenso anonimato, bem como a ideia de que a legislação não se aplica às posturas online, repercute, negativamente, na ampliação de preconceitos já enraizados na sociedade, tendo em vista que indivíduos considerados “Anormais” são alvos de ideários racistas, misóginos e homofóbicos nas redes digitais. Posto isso, é indubitável que os entraves no embate aos discursos de ódio na internet está intrinsecamente relacionado com a deplorável realidade da intolerância à diversidade.

Outrossim, é irrefutável que a acelerada propagação e as dificuldades de remover os conteúdos intolerantes nas redes mostra-se igualmente fator que contribui para os efeitos nocivos dessas ações. Dessa maneira, em conformidade com o conceito de “banalidade do mal” proposto pela filósofa Hanna Arendt, a pior maldade deriva da irreflexão. Nesse sentido, atitudes cotidianas e aparentemente inocentes, como curtidas e compartilhamento de postagens relacionadas ao ‘‘cyberbullying", por exemplo, potencializa e encorajam a persistência de contextos e falas discriminatórias. Assim, torna-se primordial mecanismos mais efetivos na limitação dessas ações em rede, congregado a uma reflexão mais holística na criticidade à trivialização dos discursos ofensivos na internet.

É imperativo, portanto, mecanismos energéticos no embate a essa conjuntura.Primeiramente, cabe as corporativas responsáveis pelas redes sociais elaborar mecanismos de denúncia em seus ambientes, além de monitorar e retirar de circulação postagens irregulares, a fim de proporcionar um amparo rápido as vítimas no primeiro momento. Ademais, cabe ao Ministério da Justiça, em paralelo a seus sistemas de denúncia (Disque 100), promover a estruturação de delegacias de monitoramento a crimes virtuais, por meio de agentes especializados nessas ações, com o intuito de minimizar essa realidade e evitar a impunidade. Enfim, a partir da difusão de um pensamento crítico de respeito à diversidade, poder-se-á, talvez, sob a ótica da teoria de Hannah Arendt cristalizar uma nação livre das mazelas da intolerância.