Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais

Enviada em 17/10/2018

O uso da internet na ’’ Primavera Árabe’’, movimentos que ocorreram na África e no Oriente Médio, no ano de 2010, contra governos ditatoriais, demonstra a importância desse meio para a legitimação da democracia. Entretanto, as redes sociais também podem disseminar a intolerância e o discurso de ódio, o que gera um grande desequilíbrio social. Nesse contexto, esse impasse é fruto da facilidade  e da impunidade.

Em primeira análise, é notório que no meio virtual há maior facilidade de organizar grupos intolerantes. Posto isso, tal fato é constatado quando de observa páginas contra certos grupos sociais, como os comentários racistas em uma foto da jornalista Maria Júlia Coutinho, no ano de 2014, por um grupo de adolescentes. Mesmo porque, como considerou o sociólogo Bauman no conceito de ‘‘Modernidade Líquida’’, a internet expande ações de ódio pelo individualismo, que é a apatia à coletividade. Assim, a internet é permeada pelo preconceito, como a homofobia.

Outrossim, é indubitável que a dificuldade de identificar os criminosos é um forte entrave. Nesse viés, esse empecilho é fruto da possibilidade do anonimato e da rapidez em que se espelha os comentários. Da mesma maneira, para o filósofo Foucault, na genealogia do poder, se não há o medo da vigília, o comportamento do indivíduo torna-se imprevisível. Por conseguinte, pela impunidade, surge uma ideologia de que, na internet, a lei não se aplica, o que dissemina o comportamento de ódio aos cidadãos.

Entende-se, portanto, que o comportamento intolerante no meio virtual é fruto da facilidade e da impunidade. A fim de atenuar o impasse, o MEC deve criar o um projeto de combate ao preconceito, por meio de palestras com psicólogos nas escolas, demonstrando a importância do respeito às diferenças, para que a facilidade de organização de grupos na internet não seja um problema, mas a expansão da harmonia social. Em consonância, cabe à Polícia Federal, em parceria com as redes sociais, desenvolver aplicativos que identifiquem os comentários e discursos de ódio, por meio de palavras-chave, a fim de combater a impunidade.