Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais
Enviada em 20/10/2018
Bolhas intolerantes
De acordo com o contratualista Thomas Hobbes, “ o homem é o lobo do homem”, pois no estado de natureza os seres humanos estariam em uma guerra de todos contra todos. Na Era Contemporânea, com os avanços tecnológicos houve a ascensão das redes sociais, portais virtuais para promover a interação entre pessoas, porém, hodiernamente elas são usadas para a propagação de ódio e intolerância, principalmente contra minorias sociais, o que demonstra que a humanidade ainda está no estado mais primitivo descrito por Hobbes.
Primeiramente, a intolerância é oriunda da dificuldade de entender e aceitar as diferenças e está enraizada na sociedade brasileira devido ao preconceito alimentado durante sua história, dado que as minorias sociais, como os negros, mulheres, homossexuais e pobres foram segregados por serem considerados inferiores pela classe dominante e obtiveram direitos sociais tardiamente com a Constituição de 1988 sem, contudo, ser alterado a mentalidade preconceituosa da maioria da população. Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, “as redes sociais são uma armadilha”, a partir disso, com o sedutor poder de anonimato, elas são ferramentas utilizadas para propagar a intolerância e explicitar o pior do ser humano.
Ademais, em contrapartida com o objetivo primordial da criação de tais portais, em vez de as pessoas buscarem e conhecerem diferentes ideias, elas acabam se fixando em “bolhas virtuais”, isto é, interagem apenas com ideias condizentes com as suas, o que aumenta a intolerância no meio virtual. À vista disso, como afirma o historiador Arnold Toynbee, “nos tornamos deuses na tecnologia, mas permanecemos macacos na vida”, logo, as redes sociais facilitam a propagação da discriminação, como demonstra dados da ONG Safernet de que entre 2010 e 2013 ocorreu um aumento de 200% de denúncias contra conteúdos preconceituosos.
Portanto, para que a intolerância diminua na sociedade e por conseguinte nas redes sociais, cabe ao Estado, em consonância com o Ministério da Educação, oferecer cursos para os profissionais da área que os instruam a elaborar atividades e debates acerca da diversidade cultural e igualdade de gênero nas aulas, pois conforme a afirmação do ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela, “a educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo”. Desta forma, será incentivado o respeito mútuo entre os alunos e futuros cidadãos.