Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais

Enviada em 22/10/2018

Com o surgimento da 3° Revolução Industrial, também chamada de Revolução Técnico-científica, os meios de comunicação em massa se expandiram de maneira exponencial. As redes sociais integram grande parte do mundo contemporâneo e são responsáveis pelo compartilhamento de ideias e informações entre diversos indivíduos. Entretanto, de maneira análoga, observa-se que a proliferação dos discursos de ódio e intolerância também cresceram na internet. Diante dessa situação, se faz necessário um estudo sobre a problemática e alternativas para combatê-la.

Em primeira análise, conforme teorizado por diversos filósofos, como Foucault, o conceito de “vigiar e punir” parece não se aplicar na internet, pois a falsa sensação de anonimato propiciada pela internet provoca no indivíduo a liberdade de se expressar sem ser punido por isso. Dessa maneira, pessoas más intencionadas utilizam dessa ferramenta para propagar ideias preconceituosas, como racismo e a xenofobia, respaldadas pela crença de que não estão sendo observados pelos agentes legais, portanto não serão penalizadas. Sendo assim, o que era para ser uma ferramenta de inclusão e comunicação acaba se tornando uma arma de guerra de pessoas intolerantes.

Em segunda análise, observa-se que a acentuação das bolhas sociais causadas pelas redes sociais provocam o aumento da intolerância entre as pessoas. Sabe-se que sites, como Google e Youtube, possuem algoritmos seletivos que são capazes de calcular e pôr em evidencia assuntos no qual cada indivíduo mais se interessaria. Dessa forma, ocorre um processo de radicalização das pessoas, que ao consumir somente conteúdos similares em grandes quantidades, acreditam cada vez mais que determinado pensamento o qual estão imersas é o correto e acreditam que qualquer pessoa ou informação oposta são absurdas e erradas. Tal situação gera a falta de entendimento e diálogo entre os indivíduos, que muitas vezes recorrem ao extremismo e a intolerância.

Infere-se, portanto, que medidas sejam tomadas para reverter essa situação. Sendo assim, é necessário que o Governo Federal dedique parte das verbas arrecadadas pelo Estado para investir nesse setor problemático, no sentido de realizar campanhas por meio das mídias, como televisão, rádios e internet, que atentem à população sobre os perigos das bolhas sociais, objetivando, assim, a conscientização e o aumento do discernimento crítico entre as pessoas. Ademais, é imprescindível que o Congresso nacional aprove a lei de tipificação sobre crimes de ódio de origem cibernética, pois com uma regulamentação específica, as chances de impunidade sobre esses criminosos se tornam mínimas. Dessa forma, os discursos de ódio na internet irão diminuir e todos poderão exercer sua liberdade de expressão conforme a lei, sem serem atacados.