Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais
Enviada em 23/10/2018
Durante o Iluminismo, a liberdade de expressão ganhou amplo significado, o direito de dizer aquilo que pensa é uma das bases da sociedade moderna, assim como dizia o filósofo Voltaire “Posso não concordar com nenhuma das palavras que dizeis, mas defenderei até a morte vosso direito de dizê-las”. Nessa perspectiva, a Declaração Universal dos Direitos Humanos, promulgada em 1948, garante que todos tem direito a liberdade de expressão que não ofenda a dignidade humana. Todavia, o conceito de liberdade é interpretado de forma equivocada na era das redes sociais, isto é, mecanismos de comunicação são utilizados para disseminar discursos que ferem a natureza humana, revelando a intolerância presente na sociedade moderna.
A priori, é importante destacar que o discurso de ódio nas redes sociais é inferiorizar uma pessoa ou um determinado grupo, a partir de tentativas genéricas de banalizar o preconceito por meio da falsa liberdade de expressão, como por exemplo, piadas de viés racistas. Além disso, o anonimato que a internet proporciona e a sensação de ambiente supostamente sem leis, faz com que indivíduos intolerantes tenham espaço para expor seus preconceitos sem medo de serem punidos. Em decorrência disso, um caso de discurso divulgado pelo jornal “O Globo”, a qual a jornalista Maria Coutinho recebeu diversos comentários racistas em sua página pessoal da rede social “Facebook” chamou a atenção para a intolerância na internet.
Ademais, outro fator relevante é reconhecer as bases da intolerância como sendo fruto da falta de conhecimento com as diversidades, assim como afirma Voltaire na sua obra “Tratado da tolerância”, toda intolerância é fruto da ignorância. Outrossim, a falta de empatia da sociedade pós moderna, também reflete na disseminação de discursos de ódio, nesse contexto, o sociólogo Zygmunt Bauman, ressalta que na modernidade líquida, a individualidade é a causa de todos os problemas, o ato de pensar somente em si e não no coletivo a partir de um comentário compartilhado via internet.
Portanto, são necessárias mudanças para intervir no problema. Cabe ao Poder Judiciário investir em profissionais da Tecnologia da Informação, para desenvolver métodos de identificação de usuários que façam discurso de ódio e que seja possível rastreá-los, através de palavras chaves nas redes sociais e tornar a prática da disseminação do ódio em rede social, crime inafiançável e com penas mais longas, para diminuir a sensação de ambiente sem leis. Além disso, o Ministério da Educação deve por meio de campanhas nas próprias redes sociais, combater a intolerância com comerciais, incentivando os usuários a denunciarem qualquer ato intolerante ou discurso de ódio que esteja sendo confundido com liberdade de expressão, para que assim o indivíduo pense mais no coletivo.