Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais

Enviada em 24/10/2018

No século XV, Johannes Gutemberg deu início a imprensa que democratizou e permitiu uma maior comunicação entre as pessoas por meio de seu invento. Entretanto, na contemporaneidade, a invenção de Gutemberg cedeu lugar a de Zuckerberg: o “facebook”, que juntos as outras mídias sociais, é um meio propício para a disseminação do ódio por meio da internet. Com efeito, a construção de uma nação livre de ideologias e estereótipos que busca a tolerância pressupõe que se combata tal disseminação.

Na internet, como o acesso é rápido e surpreendente, os ativistas em favor do discurso de ódio executam o ato de propagar mensagens ofensivas, imagens e campanhas que influenciam as pessoas a acreditar que a liberdade de expressão é ilimitada, desencadeando uma sucessão de efeitos que partem de uma mesma causa. A esse respeito, o filósofo francês Michel Foucault defendia a tese segundo a qual toda linguagem é dotada de ideologia, sendo, portanto, capaz de influenciar atitudes e comportamentos da população - fenômeno conhecido na filosofia como controle simbólico. Assim, não é razoável que a influencia simbólica desenvolvida por Foucault seja a regra e o combate ao ódio na internet, a exceção.

Sob esse enfoque, Freud escreveu o livro “Psicologia das massas e análise do eu”, ele explica que a mentalidade das pessoas muda quando em grupo, em especial no qual há uma busca por aceitação. Sendo assim, quando em massa, o sujeito não responde mais a determinadas situações da mesma maneira que reagiria individualmente.

Urge, portanto, que indivíduos e poder público cooperem para combater a disseminação do ódio nas redes sociais. Para isso, as escolas, com auxílio de jornalistas, podem desenvolver projetos capazes de aguçar o senso crítico dos alunos, por meio de aulas realizadas com frequência para que a criticidade dos alunos seja desenvolvida. Os cidadãos, por sua vez, devem denunciar casos de intimidação via internet para que o respeito vigore.