Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais

Enviada em 28/10/2018

Novos palanques.

Vivemos em tempos de guerra, de revolução, de evolução e regressão. Em pleno século XXI o indivíduo se distancia cada vez mais da evolução como ser social, enquanto a tecnologia tem atingido um patamar jamais imaginado pelo homem, e esse antagonismo vem gerando danos pertinentes ao corpo social.

As redes sociais se tornaram palanques particulares, onde cada individuo tem liberdade para expressar suas opiniões, manifestar sua cultura, valores e crenças. Apoiando-se em um suposto anonimato e pela “proteção” de uma tela, muitos usurários tem usado dessa ferramenta como um meio de disseminar ódio e preconceito aos diversos grupos que diversificam a nossa sociedade. Segundo dados divulgados pela SaferNet, organização que monitora crimes e violações dos direitos humanos na internet, há um aumento sistemático dos discursos de ódio, onde o Facebook lidera como o principal meio usado  para a propagação de ideias contrárias à essa diversidade. Quase 46% do total de denúncias ocorreu dentro da plataforma, disparando em relação às demais estruturas online.

Dessa maneira, é possível notar que a  intolerância e ódio constantemente dissipados, têm como principal fonte a discordância e a imponência de opiniões relacionadas muitas vezes a política, valores religiosos e culturais como único e verdadeiro.  Socrátes, filósofo do período clássico da Grécia antiga, empenhado na busca pela verdade já dizia a milhares de anos atrás que devemos ser humildes perante todas as formas de conhecimento, pois ninguém é possuidor da verdade absoluta. Nos dias de hoje, esse pensamento precisa ser incentivado, pois cada individuo possui a própria verdade perante a realidade em que vive e ela deve ser respeitada.

Dessa forma, fica clara a necessidade de  expansão e multiplicação de orgãos públicos de denúncia  e combate à crimes cibernéticos e a criação de políticas de estímulo à diversidade pelas instituiçôes públicas e particulares de ensino desde o ensino primário, através da criação de disciplinas especificas para debate e vivência das pluralidades sociais existentes. Já dizia Pitágoras, um filósofo grego engajado nas questões éticas e políticas: " Eduquem as crianças e não será necessário punir os homens".