Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais
Enviada em 02/11/2018
Com o surgimento da globalização, possível devido aos avanços ocasionados pela Revolução Científica do século XX, o meio das comunicações foi amplamente desenvolvido. Nessa perspectiva, acentuou-se o uso das redes sociais digitais e, paralelamente, surgiram problemas relacionados à intolerância e a discursos de ódio no âmbito comunicativo. Esses impasses derivam da sensação de apatia nas relações sociais e de impunibilidade criadas pela ascensão tecnológica globalizada e precisam ser superados.
Destaca-se, a princípio, que a falta de empatia ocasionada pelo enfraquecimento das relações interpessoais, característica da pós-modernidade, contribui para a intensificação do impasse. Diante dessa conjuntura, consoante à ideia de exaltação da prudência que o filósofo grego Aristóteles apresente no livro “Ética a Nicômaco”, é imprescindível destacar que o uso indiscriminado das tecnologias corrobora a perpetuação da apatia socia e, consequentemente, acentua a problemática da intolerância. Sob essa óptica, depreende-se que o equilíbrio das relações sociais pode ser alcançado conforme se amplia a coletivização do uso adequado da tecnologia.
Paralelamente, ressalta-se que o estado de anonimato proporcionado pelas redes sociais é um dos fatores preponderantes para que usuários direcionem falas de caráter pejorativo a outros. Segundo a filosofia do contratualista Thomas Hobbes, os indivíduos tendem a agir de maneira bélica e destrutiva quando não são observados e controlados por forças externas, aspecto que justifica a atuação intolerante de pessoas na internet diante do cenário de impunibilidade práticas desses ambientes. Ademais, salienta-se que a persistência de ações de intolerância social pela via tecnológica cria um modelo de violência digital que ataca a liberdade das pessoas acometidas e fere direitos assegurados pelo artigo 5º da Magna Carta. Desse modo, consoante à filosofia hobbesiana, infere-se que o Estado deve efetuar ações para a dissolução do problema e, assim, proporcionar segurança aos cidadãos.
Urge, portanto, que o Ministério da Saúde, em consonância ao Ministério da Educação e à mídia, deve promover uma campanha de recomendações, feitas por psicólogos especialistas em socialização, acerca do uso saudável dos instrumentos digitais, com o fito de superar o cenário de apatia social hodierno. Ademais, cabe à Polícia Federal, munida de recursos da União, estabelecer um processo de punição dos indivíduos que realizam atos de intolerância no âmbito comunicativo globalizado por meio da criação de uma plataforma de investigação integral dos servidores “on-line”, a fim de extinguir postagens indevidas e localizar quem as publica para puni-los. Desse modo, talvez seja possível solver o impasse do discurso de ódio nas redes sociais.