Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais
Enviada em 02/11/2018
Gregório de Matos Guerra, poeta barroco, traz a tona a invisibilidade humana em seu poema Senhora Dona Bahia, quando ninguém a vê, nem fala com ela, uma vez que é diferente das demais. Outrossim, no panorama atual, essa invisibilidade é expressada através do preconceito às diferenças alheias e um discurso de ódio, tendo como veículo principal as redes sociais. Sendo assim, a intolerância nos meios de comunicação se torna um problema de cunho social, merecendo um olhar crítico, a fim de minimizar esse impasse.
Sob essa conjuntura, alienados pelos valores líquidos da atualidade, a população negligencia a importância da ação empática e disseminam o ódio, como por exemplo o preconceito racial, religioso e de gênero, nas redes sociais. Nesse entrave, inclui-se como causa das agressões cibernéticas a sensação de poder ao humilhar o próximo, reprimindo a vítima por meio de fotos, vídeos e comentários sarcásticos com característica pejorativa e preconceituosa. De fato, o agressor ignora a convivência pacífica em sociedade para exercer crimes cibernéticos em meio públicos digitais, o que vai de encontro com a teoria defendida por Durkheim que descreve a relação condicional do indivíduo com a sociedade, sendo inteiramente sujeito a uma relação harmônica com todos.
Pelo exposto, a disseminação de ódio por meio de redes sociais pode agredir psicologicamente os indivíduos, deixando sequelas para toda vida. Essa problemática tem por conseguinte a utilização de meios de comunicação, outrora empregados para a globalização, para humilhar um grupo de pessoas, tendo como produto a alienação de indivíduos leigos e o aumento do preconceito. Em virtude disso, conforme a teoria de Kurzweil, que descreve o exponencial crescimento da tecnologia, concomitantemete ocorre a extensão da disseminação de opiniões de ódio em aplicativos públicos.
Em suma, a ferramenta para o sucesso humano é o respeito, que estimulado corretamente traz benefícios à população, tornando-se eficaz por meio da relação entre políticas do Ministério da Educação e a punição de crimes cibernéticos pelo Governo. Convém, portanto, ao Ministério da Educação a criação de um programa nacional escolar que vise estimular o respeito ao próximo, o que deve ocorrer mediante o fornecimento de palestras e trabalhos culturais, além da distribuição de cartilhas informando as consequências do ciberbullying. Com isso, ocorrerá a diminuição gradativa das consequências criminosas envolvendo preconceito e ódio nas redes sociais, além da mudanças da perspectiva do indivíduo desde a educação básica. Dessa forma, o retrato barroco de Gregório de Matos será substituído pelas vozes empáticas de uma sociedade que convive em união.