Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais

Enviada em 03/11/2018

O filósofo Zygmunt Bauman, explica a ocorrência do individualismo baseando-se nas atuais relações fluidas e consequente queda nos valores sociais, favorecendo os interesses do sujeito e a intolerância para com os demais. A partir dessa ideia, o discurso de ódio cresce na sociedade contemporânea e é propagado, principalmente, pelas plataformas digitais. Destarte, convém analisar os fatores que levam a preferência pelo ambiente virtual para tais crimes e o que fazer para combatê-los.

Em primeira observação, as redes sociais apresentam um artifício que pode ser utilizado com fins negativos: o anonimato. Assim, por meio dele, o indivíduo pode enviar insultos à alguém ou a uma instituição e, crendo que há uma ínfima possibilidade de ser responsabilizado, persiste com suas ações, haja vista que é demasiado fácil humilhar por meio de mensagens anônimas, se comparado a pessoalmente. Outrossim, no mundo virtual há relações de poder e influência, o que potencializa futuros seguidores da ideologia exposta, sendo ela positiva ou não. Nesse âmbito, o ser cria um novo modo de hostilizar, por meio da tentativa de contornar o sistema pra fazê-lo, e ao estar imerso no panorama líquido, segundo Bauman, acaba por perpetuar o ódio em favor de suas próprias ambições, principalmente na Internet, que, em virtude dos adventos da globalização, propicia um grande alcance de modo veloz das informações.

Outro ponto relevante, é o fato de que manifestações de aversão aos outros não ser algo recente. Nesse contexto, pode-se citar o Nazismo, comandado por Adolf Hitler no século XX, e a suposta superioridade da raça ariana, que apesar de anos de conscientização sobre diferenças culturais e socioeconômicas, ainda persiste o discurso intolerante, até mesmo neonazista, em diversas partes do mundo, inclusive no Brasil, em que os principais alvos são minorias sociais, fruto de um histórico segregacionista e de ideologias político-religiosas. Logo, cabe analisar o pensamento de Hannah Arendt e a “banalidade do mal”, que, ao analisar o Nazismo, afirma que a sociedade produz pessoas que não pensam, mas apenas reproduzem comportamentos, desestimulando o senso crítico.

Ao considerar o exposto, urgem medidas para alterar o presente quadro. De início, é necessário uma maior e mais eficiente fiscalização de crimes ocorridos na Internet pelo Ministério da Comunicação, sem, contudo, comprometer a privacidade dos usuários, além de colocar a lei em evidência com punições mais severas, como aumentar a multa e anos de reclusão. Ademais, os Ministérios da Educação e da Cultura devem trabalhar nas escolas as diversidades entre as crianças e adolescentes, por meio de aulas, nas disciplinas de sociologia e geografia, e palestras interativas, para mitigar os preconceitos desde cedo, além de divulgar as legislações existentes e as formas de denúncias.