Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais
Enviada em 14/05/2019
O filósofo Arthur Schopenhauner disse que o nosso mundo é o pior dos mundos possíveis.Talvez hoje ele percebesse acertado sua visão: a intolerância e o discurso de ódio nas redes sociais representam uma das piores facetas de um sociedade digital.Com efeito,é notável um cenário discriminatório e menos propenso ao diálogo seja pelo falta de aceitação diante do diferente,seja pelo individualismo.
Em primeiro plano, as desigualdades sociais e culturais reforçam o isolamento dos indivíduos em grupos que não reconhecem no outro um semelhante, mas sim uma ameaça. A exemplo disso, nos países desenvolvidos, a chegada de refugiados da África e do Oriente Médio gera um sentimento de deslocamento social e de perda de laços incendiários, que também leva a considerar o estrangeiro como inimigo.Assim, impulsionados pelas redes sociais, os discursos de ódio, sobretudo contra aqueles excluídos historicamente, ganham exposição pública e se manifestam livremente, sem qualquer limite ético.Logo, tal fato fica evidente a partir de relatórios da Anistia Internacional que alertam, nos últimos anos, para o aumento de perseguições a minorias nas redes sociais. Contudo, é paradoxal que a sociedade civil seja incapaz de conviver com diferenças, mesmo na pós-modernidade.
De outro plano,a solidariedade e coletividade foram substituída pelo egoísmo.A esse respeito, o filósofo Adam Smith afirmava que as ambições individuais levam a sociedade ao progresso. Á visto disso, a ideologia liberalista de Smith potencializa uma sociedade mais individualista, ou seja, que não considera mais o outro e pensa apenas na satisfação imediata de seus desejos pessoais. Outrossim, a falta de interesse em ouvir argumentos contrários às ideias preconcebidas favorece a proliferação de atos e comentários intolerantes. Desse modo, dados da a Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos registrou entre 2006 e 2016 no Brasil, mais de duas mil ocorrências envolvendo tipos de manifestação de intolerância, como racismo e homofobia.Todavia, enquanto a incompreensão estiver presente na conjuntura hodierna, a sociedade será obrigada a conviver entre o ódio e a barbárie.
Mediante aos fatos expostos, é necessário construir uma sociedade mais respeitosa . Sendo assim, o Ministério da Tecnologia, em parceria com empresas digitais, devem, por meio de ações governamentais, enrijecer a legislação voltada para crimes cibernéticos, bem como a rápida investigação de denúncias e a aplicação de penas mais severas aos transgressores da lei, com o objetivo de minimizar e evitar que crimes virtuais ocorram. Ademais, influentes digitais e ONG’s, mediante sua visibilidade e seus discursos nas mídias, competem informar quando o o discurso de ódio ultrapassa o direito de se manifestar livremente, com vistas a incentivar uma reflexão acerca dos efeitos nefastos de comentários e atos intolerantes no mundo digital.