Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais

Enviada em 15/03/2019

Em um dos célebres episódios da série CSI, do diretor Eagle Egilsson, o investigador Nick Stokes, depara-se com o caso de uma adolescente que, após sofrer constantes agressões na internet, comete suicídio. Fora das telas, a intolerância e o discurso de ódio nas redes sociais é um problema a ser pautado no Brasil e que, devido à inércia governamental no seu combate e prevenção, instala-se, vitimizando a sociedade.

Primordialmente, convém ressaltar a fragilidade do combate a crimes cibernéticos como fator relevante. Visto que, o Brasil não possui uma legislação específica sobre o tema, e tal falta de especificação é paradoxal ao seu combate, muitos dos agressores são julgados por outros crimes, ou não são julgados por não haver artigos e leis suficientes para sua punição. Com isso, permite-se que muitos saiam impunes e vítimas fiquem amedrontadas a conviver socialmente e outra vez serem alvos dessa derrota, que segundo a filosofia de Sartre, é a violência independente da forma que se manifeste.

Sob outro ângulo, é possível notar também a inércia governamental em precaver atitudes ameaçadoras e intolerantes na web. De acordo com informações divulgadas no jornal O Globo, cerca de 84% das menções, nas redes sociais, sobre racismo, política e homofobia, são negativas. Apesar do alarmante dado, nenhuma medida efetiva foi tomada para conscientizar a população, principalmente jovens, que podem ser futuros agressores. Destarte, formam-se gerações aculturadas pela violência e desrespeito, o que torna a situação um círculo vicioso.

Assim sendo, o Estado, através de uma emenda constitucional, deve definir como crime mensagens de intolerância e manifestações de ódio nas redes sociais,com punições exemplares, não dando subterfúgios para tais atitudes. Ademais, promova a distribuição de cartilhas educativas nas escolas, explicitando o que é considerado crime na web, como denunciar e exemplos de danos causados por essa violência, promovendo, assim, a conscientização, por meio da informação com foco na prevenção.