Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais
Enviada em 11/08/2019
Intolerâncias e discursos de ódio remetem ao que o escritor Jean Baudrillard abordou em “À sombra das minorias silenciosas”, com a visão de uma sociedade irracional e segregada. Analogamente, a indiferença humana em torno da área social estabelece limites nas relações entre os homens. Essa negligência social afeta, inclusive, a população conectada à internet. É nesse viés que a problemática da intolerância e do discurso de ódio nas redes sociais aponta os desvios comportamentais da sociedade nos atuais paradigmas do Brasil.
Em primeira análise, as causas dos discursos de ódio podem ser observadas sob perspectivas sociais e humanas, tendo em vista que se tornaram reflexos da perpetuação do individualismo no tecido social brasileiro. Com o uso da internet e das redes sociais ficou mais fácil para a divulgação de pensamentos que discriminam minorias. O preconceito e a intolerância se faz presente na sociedade desde muito antes do uso das redes sociais, mas com elas, a problemática foi ampliada, já que, há certo anonimato por trás dos aparelhos eletrônicos. Dessa forma, percebe-se, na área social, uma falência de ideologias que confirmam a visão de Baudrillard.
Evidentemente, é preciso salientar os impactos para as minorias que sofrem preconceitos. O “bullying” e as palavras de ódio podem resultar em sentimentos de tristeza, de rejeição e de inutilidade. O indivíduo afasta-se socialmente devido às críticas e esse afastamento pode transforma-se em transtornos depressivos. Sob esse contexto, é certo declarar que a população brasileira apresenta uma completa inversão de valores. Dessa maneira, ao analisar as consequências dos discursos de ódio nas redes sociais, pode-se dizer que há uma relação de interdependência entre o indivíduo e a sociedade, como teorizada pelo sociólogo alemão Norbert Elias.
Fica evidente, portanto, que os preceitos elementares entre indivíduo e sociedade, assegurados pela teia de interdependência de Elias, devem ser explorados de forma que a população brasileira adquira novos valores de cidadania acerca do respeito humano. Nessa perspectiva, faz-se necessário que o Ministério da Educação –em parceria com instituições privadas- promova a criação de vídeos e de enquetes, por meio de plataformas digitais, com discussões e debates desenvolvidos por profissionais da área divulgando meios de apoio a vítimas e canais de denúncia, de forma que a Educação Social desperte a preocupação e o conhecimento da população, já que se observa uma alteração nos padrões sociais brasileiros. Afinal, segundo o autor norte-americano Skinner, a educação sobrevive mesmo quando todo o resto aprendido é esquecido.