Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais

Enviada em 18/03/2019

O surgimento das redes sociais possibilitou a abertura de um espaço de fala, no qual muitas pessoas que não tinham esse direito hoje o tem. Nesse sentido, os indivíduos, como um todo, tem a liberdade para postar tudo o que pensam, no entanto, muitos usuários das redes usam da liberdade de expressão para propagar discursos de ódio, o que fere outro direito, do respeito à dignidade da pessoa humana, ambos garantidos na Constituição Federal de 1998. Isso comprova a tese de que a internet é um recorte da sociedade, que reproduz comportamentos, como a intolerância, em maior ou menor magnitude.

Nesse contexto, Uberto Eco, ao dizer sobre o “idiota da aldeia”, afirma que o aparecimento da internet fez surgir “idiotas” que antes eram isolados e só tinham a palavra esporadicamente, e que hoje possuem maior direito à fala, atingindo maior número de pessoas e encontrando indivíduos que possuem as mesmas opiniões, sendo encaradas como verdades. Isso demonstra que as redes sociais contribuíram para a amplificação de comportamentos que antes eram mais discretos e isolados, principalmente em função de muitos usuários não se sentirem intimidados atrás da tela e pelo pretenso anonimato. Assim, os discursos de ódio ganharam força, na forma de racismo, homofobia, misoginia, entre outros tipos de intolerância que já existiam na sociedade, mas tiveram maior abrangência e alcance com as redes sociais, pelo maior contato com outros cidadãos, que agora são atingidos com maior frequência com o preconceito propagado, seja dirigido diretamente àquela pessoa, seja pela postagem de outro indivíduo contendo palavras de ódio a certo grupo.

Nesse último caso, muitos usuários alegam ser apenas uma opinião, o que na verdade é um discurso de ódio, com isso, propagam preconceitos e violências verbais sob a égide da liberdade de expressão. No entanto, assim como esse direito, a proteção à dignidade humana também se encontra na Constituição Federal (CF), e é ferida quando é proferido algum discurso de ódio sobre qualquer cidadão. Nesse sentido, pode-se inferir que, como a liberdade de expressão é um direito conquistado há pouco tempo, apenas 31 anos garantida na CF, há certa imaturidade dos cidadão para lidarem com ela, acarretando a falta de limites entre intolerância e liberdade de fala, o que leva à propagação de preconceitos.

Assim, é importante que as escolas promovam discussões sobre os limites da liberdade de expressão, através da realização de debates, com estudos orientados de professores de ciências humanas e linguagens. Isso teria por objetivo orientar os jovens a não propagarem discursos de ódio, tanto na vida prática como nas redes sociais, ensinando-os a serem mais tolerantes com o outro.