Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais
Enviada em 18/03/2019
Na obra Casa-Grande e Senzala de Gilberto Freyre, é apregoada uma imagem de igualdade entre raças, na qual faz emergir a ideia de uma democracia racial, sendo esta livre de discriminação e racismo entre os membros da sociedade brasileira. No entanto, ao observar as redes sociais, verifica-se que este ideal democrático é constatado na teoria e não desejavelmente na prática, uma vez que é cada vez mais comum, encontrar no mundo virtual, comentários que reiteram e reafirmam discursos de ódio e intolerância presentes intrinsecamente na realidade do país.
A liberdade de expressão- assegurada pela Constituição de 1988-, é, na maioria das vezes, confundida com disseminação de preconceito, isto porque cada vez mais usuários justificam discursos preconceituosos como forma de livre manifestação, e em virtude disto, ataques machistas, homofóbicos e até mesmo racistas ganham enorme repercussão. A exemplo disto, está o caso da jornalista Maria Júlia Coutinho, e das atrizes Sheron Menezes e Taís Araújo, que no ano de 2015 sofreram ataques e injúrias raciais; tal fato, só reitera o racismo velado que ainda existe no Brasil, não sendo superado com a abolição da escravidão em 1888, e que pode ser visto, inclusive, nas redes sociais.
Ademais, as redes são reflexo da sociedade brasileira, uma vez que transferem a polarização social e política do mundo real para o virtual, e assim essa tendência resulta na banalização e legitimação da violência. Pode-se observar tal efeito, nas eleições do ano passado-2018-, em que inúmeras “fakes news”- notícias falsas-, foram compartilhadas, e serviram de palanque para alimentar correntes de ódio; uma das figuras a serem citadas, é a vereadora Marielle Franco, assassinada no mesmo ano, que teve sua imagem difamada.
Portanto, nota-se que a esfera virtual é um ambiente muito singular, especialmente no que diz respeito a disseminação de ódio e exposição das vítimas. Para alterar esta prerrogativa, são necessárias ações conjuntas, firmadas entre a iniciativa pública e privada. Sendo assim, é mister do Estado, criar redes de proteção às vítimas de crimes cibernéticos, além de fóruns especiais que possam ser feitas denúncias. Ademais, a ação de ONGS, na criação de campanhas, que repudiam formas de intolerância e ódio- xenofobia, racismo, homofobia e machismo-, e conscientizem populações- não só no Brasil-, sobre a necessidade de combater estes discursos. As mídias sociais, como Facebook, Instagram, Twitter, que atualmente concentram grande parte dos usuários, monitorarem suas redes, excluindo conteúdos que ferem à dignidade e violem à integridade moral de outros usuários. E por fim, a sociedade civil, na denúncias de comentários discriminatórios e crimes de violência; desta forma, será possível construir um ambiente virtual no qual prevaleça a pluralidade e tolerância entre seus usuários.
s vítimas de crimes cibernéticos