Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais

Enviada em 22/04/2019

Dr. Jekyll e Mr. Hyde

Diante do advento e da popularização da internet, muitas discussões são abertas a respeito do grande poder que ela fornece para quem a utiliza. A cultura de ódio praticada nas redes sociais e seus efeitos na sociedade brasileira são assuntos sobre os quais especialistas mais se debruçam para pensar os motivos desse comportamento colérico ocorrer com tanta frequência, pois segundo dados do IBGE, 70% da população no pais possui acesso a essa mídia.

Em primeiro plano, o psicólogo Philip Zimbardo , em seu livro ‘‘O Efeito Lúcifer’’, analisa um experimento social e observa que, homens considerados de boa índole podem se tornar verdadeiros monstros, desde que ambiente assim o favoreça, através de fatores como a desumanização dos outros, o anonimato do indivíduo e obediência cega à autoridade. Por meio desse mesmo raciocínio no meio virtual, enxerga-se a razão cujo internautas propagam discursos de ódio nas redes sociais é devido ao comportamento de manada, no qual eles criam comunidades de interesses semelhantes, e o debate com pessoas de opiniões diferentes é quase nulo. Tal atitude produz uma intolerância pela escassa pluralidade de ideias - mesmo que esse âmbito abranja majoritariamente a população -  e origina a cultura de ódio nas redes sociais.

Outrossim, além da influência do ambiente inserido, o anonimato aparente faz com que preconceitos enrustidos transbordem do indivíduo, realizando discursos criminosos de cunho racial, religioso e sexual; ademais, a ocorrência  de ameaças e difamações, como ocorreu com Carolina Dieckmann em 2012, que teve fotos íntimas vazadas nas redes sociais, seguidas de suborno. A falsa onipotência cujos propagadores de ódio agem, resultam-se em efeitos desastrosos na vida de muitos. Esse comportamento acarreta da persistência de práticas criminosas no mundo real, e a violência virtual pode se tornar física. Foi possível assistir a essas ações no período de eleições para o cargo presidencial no ano de 2018, em que houve uma gigantesca cisão de opiniões no Brasil, e extremistas religiosos, não aceitando visões de mundo discordantes das suas, utilizavam-se do discurso de ódio.

Portanto, é passível o entendimento de que, os efeitos da cultura de ojeriza nas redes sociais se originam da visão de mundo fechada a novas ideias. Analogamente ao livro ‘‘The Strange Case of Dr.Jekyll and Mr.Hyde’’, é necessário fomentar o debate e pluralidade de opiniões em âmbito escolar e social, obtendo-se isso através de campanhas publicitárias financiadas pelo Ministério da Educação (MEC), para que seja possível assolar a intolerância e o ódio nesse meio. Caso contrário, permitir-se-ia que o monstro latente em todos nós tome o controle de nossas ações na internet.