Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais
Enviada em 13/05/2019
As tecnologias de informação e comunicação, fruto do desenvolvimento técnico e científico, são símbolos da contemporaneidade e demonstram-se facilitadores das relações humanas, promovendo interatividade e diálogo. Entretanto, as redes nem sempre são locais de relacionamento harmônicos e pacíficos, principalmente, no tocante aos discursos de ódio, isto é, manifestações individuais com o objetivo de ferir um indivíduo ou minoria, causando danos morais e éticos às vítimas dessa prática. Nesse sentido, torna-se vital adotar uma atitude de repúdio a tais discursos, seja por comprometer a afirmação de determinados grupos, seja por caracterizarem um tipo de violência implícita.
No que concerne ao primeiro ponto, vale salientar que os discursos de ódio são potenciais inibidores da aceitação social e afirmação de um grupo ou segmento da sociedade. Para elucidar essa questão, o Filósofo Jürgen Habermas, defende que o mundo atual busca, não mais sobre uma razão instrumental, mas numa razão comunicativa, na qual o discurso possui um papel chave como ferramentas emancipatórias. Posto isso, grupos sociais, antes marginalizados utilizam-se da linguagem como meio de fazer-se reconhecer perante a sociedade. Entretanto, as manifestações de ódio nos meios digitais, inibem a validação dos discursos afirmativos, promovendo o surgimento fraturas sociais desestabilizadoras, fruto da erosão de valores que dão sentido à vida em coletividade.
Já em relação ao segundo ponto, é coerente pensar que a prática e a postura perante esses discursos de ódio, evidenciam a presença de uma violência velada. Quanto a isso, o sociólogo francês Pierre Bourdieu inaugura o conceito de violência simbólica, ou seja, um conjunto de práticas de agressão invisíveis e insensíveis que ocorrem por mecanismos simbólicos e dissimulados capazes de causar danos a suas vítimas. Desse modo, os discursos de ódio nas redes lançam mão de elementos simbólicos para gerar uma crítica bruta e corrosiva, interferindo na vida dos alvos dessa declaração ao gerar prejuízos a sua moral e dignidade. Assim, as declarações de ódio são formas de violência que impactam tanto no indivíduo quanto no coletivo comprometendo a coesão social e a solidariedade.
A par do que foi exposto, cabe finalizar refletindo em medidas capazes de por fim aos discursos de ódio na interface digital. A respeito disso, é dever do Ministério da Educação desenvolver nas escolas, visto que realizam um trabalho complementar ao da família, programas de “letramento digital”, ou seja, projetos que ensinem aos estudantes a fazer bom usufruto das tecnologias, respeitando os demais e garantindo a harmonia nessa nova plataforma. Isso pode ser feito por meio de aulas em laboratórios de informática, palestras com especialistas e círculos de discussões entre os discentes. Tudo com o objetivo de evitar a propagação dos discursos de ódio às gerações vindouras, cultivando a empatia.