Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais

Enviada em 01/06/2019

Certa vez, Raul Seixas disse que “preferia ser uma metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”. De fato, a capacidade de compreender outras perspectivas, além de dialogar com a opinião alheia, faz parte da cidadania. No entanto, na sociedade atual, em que o individualismo se torna a tônica, é evidente que o discurso de ódio e a intolerância se manifestem, principalmente, através dos novos mecanismos de comunicação, as redes sociais. Nesse sentido, é valido analisar as facetas sociais e comportamentais desse fenômeno.

Em primeiro lugar, é importante ressaltar o viés diacrônico desses fatos na construção da sociedade. Nessa perspectiva, é notável que a intolerância, entrelaçada ao preconceito, está enraizada nas sociedades. Com efeito, o filósofo Immanuel Kant afirma que os seres humanos são guiados por ideais maiores, ou seja, valores que são regulados historicamente, mas que nunca se perdem. Com isso, as redes sociais surgem como um catalisador, o que abre espaço para a disseminação desses discursos.

Além disso, como já foi dito, existe a tendência individualista do mundo contemporâneo, o que dificulta a capacidade de diálogo. Por certo, em 2016, o dicionário de Oxford elegeu “pós-verdade” como a palavra do ano. Isto é, as pessoas tendem a ser guiadas por uma seleção subjetiva, sem contestar o próprio modo de pensar. Nesse aspecto, as redes sociais acirram esse fenômeno, já que existe a propensão do isolamento em determinados grupos, o que forma as chamadas bolhas sociais. Nelas, as pessoas promovem discursos de ódio contra outros usuários.

Destarte, é mister que a análise dessa temática recai na necessidade de melhorias. Dessa forma, é possível que as próprias redes sociais, como twitter e facebook, invistam em publicidades sobre essa temática. Dessarte, será possível alertar um maior número de pessoas sobre as causas e consequências desses atos. Assim, com o novo ambiente em rede, poder-se-á formar novas “metamorfoses ambulantes”.