Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais
Enviada em 08/06/2019
Na música “Metamorfose Ambulante”, o cantor Raul Seixas diz: “eu prefiro ser essa metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”. Nesse contexto, é nítido que, atualmente, com a internet, muitas pessoas ignoram o trecho dessa canção, pois elas permanecem em suas posições fixas, desprezando qualquer opinião que possa questioná-las. Desse modo, isso provoca intolerância e discursos de ódio que, na maioria das vezes, ocorrem nas redes sociais, em virtude da sensação de impunidade e da visão distorcida sobre liberdade de expressão.
É preciso considerar, antes de tudo, que a utilização de contas anônimas impulsionam as pessoas a serem intolerantes e a publicarem discursos de ódio nas redes sociais. Nessa direção, é nítido que, com o mundo virtual, os indivíduos possuem uma sensação de impunidade por não serem identificados, permitindo que eles não sintam nenhum receio em comentar, curtir ou compartilhar comentários ofensivos. Sob tal ótica, Zygmunt Bauman, sociólogo e filósofo polonês, retrata, em seu livro “Amor líquido”, a facilidade de fazer e desfazer qualquer contato no século XXI. Sendo assim, as pessoas, na internet, utilizam, além do anonimato, a praticidade de interromper conexões, excluindo os comentários contrários ao seu pensamento ou ignorando as contas desses usuários.
Outrossim, uma grande parcela da população possui uma visão distorcida sobre liberdade de expressão. À vista disso, existe uma falta de conhecimento sobre as leis, pois os indivíduos, ao se exporem, não podem interferir no direito de outra pessoa. Por esse motivo, as pessoas publicam, nas redes sociais, qualquer opinião, ocasionando postagens que contenham, por exemplo, conteúdo homofóbico, racista e misógino. Em relação a isso, os alvos desses discursos de ódio — que, normalmente, são minorias — originam problemas de saúde, como a ansiedade e a depressão, podendo levar, até mesmo, ao suicídio.
Fica claro, portanto, que é indubitável a necessidade de medidas para combater a intolerância e o discurso de ódio nas redes sociais. Destarte, os seus desenvolvedores deveriam garantir que isso não ocorra. Para isso, eles poderiam, por meio dos programadores, criar aplicativos eficientes que rastreariam mensagens preconceituosas e intolerantes que, posteriormente, seriam enviadas para as autoridades judiciais, permitindo, assim, que as leis sejam cumpridas. Por conseguinte, haveria a diminuição gradativa de postagens que ferem o direito das pessoas e mais indivíduos iriam compartilhar do mesmo pensamento de Raul Seixas.