Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais

Enviada em 12/06/2019

Ao afirmar “tinha uma pedra no meio do caminho”, o modernista Drummond expôs conotativamente os percalços existentes na sociedade. Tal metáfora literária assemelha-se ao atual panorama de intolerância e discurso de ódio nas redes sociais como um dos problemas que deve ser enfrentado, a fim de concretizar o direito à liberdade de expressão atrelado a uma atitude cidadã de respeito e tolerância.

A princípio, é indispensável de relacionar essa problemática com a falta de uma educação qualificada para formação ética e moral dos indivíduos. Consoante, ao pensamento de Immanuel Kant de que: “o ser humano é aquilo que a educação faz dele”, reflete-se, dessa forma, o valor educacional na atuação de moldar os cidadãos. Assim, ao divergir dessa conduta, o preconceito e a intolerância tornam-se ativos em uma sociedade a qual aproveita-se da liberdade de expressão para atuar no meio virtual, agredindo e expandindo o discurso de ódio.

Convém ainda analisar que a questão da criação de redes sociais falsas ampliam essas circunstâncias, pois o autor dessas práticas são encobertos pelo anonimato. É oportuno mencionar que as graves consequências vêm à tona. Pessoas negras são vítimas do preconceito como, por exemplo, o caso da filha dos atores Giovanna Ewbank e Bruno Gagliasso, a qual foi vítima de racismo através de vídeos gravados pela autora do crime Day McCarthy. Essa postura antiética simboliza a face mais evidente da falta de empatia, de uma violação aos direitos humanos e do retrocesso de uma sociedade a qual clama pela “paz”.

Diante dessas análises, é necessário que o Estado, em parceria com o Ministério da Educação, promova investimentos em uma educação qualificada, com o objetivo de formar cidadãos mais tolerantes e atuantes com respeito ao próximo. Para isso, disciplinas de ética e moral são fundamentais para debater sobre a importância do respeito às diversidades; assim, é ideal, nessa conduta, convidar pessoas as quais foram alvos de preconceito, para relatar o drama vivido. Paralelamente, as empresas de internet poderiam criar a implementação de uma coleta de digitais quando a formação de redes sociais forem solicitadas por indivíduos, com o intuito de acabar com a criação de perfis falsos e, dessa forma, tornar mais fácil punir os autores da cultura do ódio, pois haverá como saber quem realizou tais ações. Sugere-se, também, a atuação da família, para que, desde cedo, ensinem aos seus filhos a importância de atitudes cidadãs no convívio social. Poder-se-á, assim, retirar essa pedra do meio do caminho de tantas vítimas dessa retrógrada realidade, trazendo-lhes conforto.