Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais

Enviada em 13/06/2019

A liberdade de expressão, princípio constitucional que rompeu com a censura da ditadura militar no Brasil, corresponde ao direito de manifestar ideias, opiniões e pensamentos. Entretanto, com o avanço da tecnologia, a intolerância e o discurso de ódio cresceram consideravelmente, até mesmo por meio do humor. Além disso, as escolas também são cenários propícios à este tipo de violência, muitos alunos convertem o seus direitos constitucionais de liberdade de expressão em discursos preconceituosos e ofensivos, contribuindo ainda mais para a persistência dos problemas sociais no Brasil.

Desse modo, com o advento da criação da internet e sua popularização, os conteúdos publicados, principalmente nas redes sociais, são rapidamente e facilmente viralizados. Assim, segundo a agência Comunica que Muda, em, aproximadamente, 500 mil menções de problemas sociais brasileiros em redes sociais, durante 3 meses, quase 92% destas são negativas, e a maioria possui cunho humorístico. Logo, devido a condições de anonimato, pode-se concluir que a internet é uma “terra sem lei”, pois, diversos sites, canais do youtube, páginas de humor e usuários que cometem este tipo de intolerância virtual, na maioria das vezes, não são identificados, e se identificados, a burocracia e procedimentos envolvidos, nem sempre garantem as devidas punições aos criminosos.

Ademais, as escolas é um ambiente muito comumente associado à disseminação de ideais preconceituosos, através do humor. Muitos estudantes, com intuito, muitas das vezes, de se tornarem populares e aparentarem divertidos e descolados, utilizam de piadas ofensivas contra negros, homossexuais, deficientes, mulheres, entre outros grupos sociais que são reprimidos pela sociedade, para promoverem a sua imagem. Situações como essas, criam, consequentemente, outro grande problema social muito comum no ambiente escolar, que é o bullying, trazendo diversos malefícios para a vida da pessoa reprimida, como, queda no rendimento escolar, depressão, crises de ansiedade, isolamento social, entre outros “sintomas”, de acordo com a Organização Mundial da Saúde.

Portanto, medidas são necessárias para a resolução da problemática. Recomenda-se que as escolas públicas e privadas promovam ações pedagógicas para os alunos que possibilitem o contato e o diálogo com culturas, religiões e gêneros diferentes, como debates e trabalhos. Ademais, se faz necessário que o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação, juntamente com o MEC faça campanhas de incentivo a denúncias a videos e posts que promovam ideias discriminatórias. Assim, o direito constitucional de liberdade de expressão, porém sem agressões ao próximo, poderá ser assegurado.