Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais
Enviada em 01/08/2019
Apesar de a Constituição Federal assegurar a liberdade de expressão apenas nos casos em que tal princípio não fere o direito de terceiros, persistem, com incidência significativa, a propagação do discurso de ódio e os casos de intolerância no país por meio da internet. Nesse particular, vê-se que essa conjuntura faz surgir a influência nociva das redes sociais que, por conta da falsa sensação de anonimato, torna os usuários sucetíveis a cometer crimes cibernéticos prevendo a impunidade de seus atos. Destarte, é irrefutável que ocorra uma remodelação dos projetos midiáticos e escolares.
Em uma primeira análise, é válido salientar que o filósofo Leandro Karnal assegurou que o discurso discriminatório sempre esteve presente nas relações brasileiras, mas o advento da internet possibilitou um crescente dessa conduta nas midias sociais. Dessa forma, é necessário compreender que o brasileiro não se tornou intolerante depois dos avanços tecnológicos, a população sempre foi misógina, xenofóbica, homofóbia e racista, o que mudou foi a sensação maior de liberdade para expressar o que pensa, mesmo cometendo crimes de ódio por isso, que o errôneo anonimato de um perfil online trouxe. Em síntese, é necessário que essas mesmas culminadoras da problemática contribuam para mitigá-la.
Paralelo a isso, a ausência de posicionamento escolar quanto ao assunto é um impasse. No que concerne a isso, é mister buscar, nas ideias do pedagogo Paulo Freire, o enredo para a compreensão do que foi explanado, já que para ele a educação é a principal arma responsável pela mudança da sociedade a partir de cidadãos mais cientes de seus direitos e deveres. Por esse viés, é imprescindível que nas escolas seja abordado a relação entre liberdade de expressão e discurssos criminosos nas redes, além do conhecimento sobre as leis já existentes que criminalizam esses discurssos, para que assim os alunos saibam que cometer esses atos pode ocasionar em punições severas e que, em caso de serem as vítimas, saibam que medidas tomar para garantir seus direitos perante a Constituição.
É necessário, portanto, que os atores sociais trabalhem frente ao problema de intolerância e discurso de ódio nas redes sociais. Para tanto, o Ministério da Comunicação deve promover uma concientização mediante os crimes cibernéticos, suas consequências e como lidar com eles ao presenciá-los. Isso será feito por meio de propogandas e curtas metragens, que tenham como público alvo todos os usuários online, a fim de estimular a consciência no respeito coletivo. Ademais, a escola deve iniciar debates e diálogos que discutam o exercício correto da liberdadede expressão, por intermédio da educação pedagógica, como projetos e palestras, a fim de desenvolver o juízo crítico social sobre as ideologias propagadas, para que se assegure a afeição, a opinião do próximo e a exposição correta de seus ideais, além de ratificar o respeito às diversidades, por meio de atividades lúdicas, como peças teatrais.