Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais

Enviada em 16/07/2019

No contexto atual, a massificação do uso da internet e, consequentemente, das redes sociais, promoveram um fenômeno amplamente democrático: dar voz a todos que usufruem dessa tecnologia. Apesar dessa ferramente permitir o debate entre ideias e estabelecer novos vínculos, esse meio de comunicação também passou a ser utilizado para propagação de intolerância e discursos de ódio. Nesse sentido, é preciso investigar as possíveis causas que levam a tais atos e quais são as consequências decorrentes deles.

Primeiramente, é necessário entender quais os motivos que levam ao sectarismo. Sabe-se que o preconceito, em todas as suas vertentes, é uma situação antiga. Para exemplificar, observa-se o papel de inferioridade ao qual as mulheres vêm sendo submetidas desde a antiguidade. Ainda, momentos como a lei do Apartheid, que promoveu a segregação racial na África do Sul, e os atos de violência promovidos por grupos racistas, como o Ku Klux Klan, nos Estados Unidos, são símbolos de como a intolerância sempre esteve presente na sociedade. Embora as leis tenham evoluído, de forma a proteger as vítimas, as redes sociais criaram um novo espaço, onde os agressores, protegidos pelo anonimato, continuam a propagar seus preconceitos sem nenhuma consequência real.

Em segundo plano, observa-se que esses atos de ódio não ficam restritos ao mundo virtual. Nesse sentido, a exteriorização desse tipo de violência se verifica nos crescentes casos de depressão e suicídio aos quais alguns usuários estão submetidos, principalmente quando se trata sobre críticas à aparência ou à classe social. Além disso, a impunidade torna esse comportamento mais permissivo, ou seja, novos agressores surgem e continuam propagando críticas violentas.

A partir do exposto, nota-se que as causas que levam ao discurso de ódio e a intolerância nas redes sociais decorrem do suposto anonimato e do preconceito enraizado nos agressores. Nesse contexto, o surgimento de novos agentes que promovem esses atos, a depressão e o suicídio, causado por críticas violentas, são as principais consequências desse comportamento. Dessa forma, além da criação de aplicativos que monitorem as redes sociais, é preciso investir em medidas que antecedam à violência.  Para isso, é necessário que temas como racismo, misoginia, homofobia e afins sejam discutidos pela sociedade. Nesse escopo, as escolas podem atuar junto à comunidade por meio  de palestras e grupos de discussões acerca desses temas, para esclarecer conceitos pré-estabelecidos e mostrar como a intolerância atinge negativamente a sociedade.