Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais

Enviada em 01/08/2019

“A contribuição brasileira para a civilização será o homem cordial”. Com esse trecho, o historiador paulista Sérgio Buarque de Holanda, no ano de 1936, apresentou em seu livro “Raízes do Brasil”, a ideia de que o comportamento educado e afetuoso impera no povo brasileiro desde sua formação. Não obstante, contrarioando a teoria do escritor, o país, infelizmente, enfrenta sérios problemas quanto a intolerância e o discurso de ódio propagado nas redes sociais. Urge, pois, com que sejam realizadas medidas eficazes não só na remodelação dos projetos midiáticos, como também, dos escolares.

Em uma primeira abordagem, é válido salientar que o filósofo Leandro Karnal assegurou que o discurso discriminatório sempre esteve presente nas relações brasileiras, mas o advento da internet possibilitou um crescente dessa conduta nas mídias sociais. Dessa forma, é necessário compeender que o brasileiro não se tornou intolerante depois dos avanços tecnológicos, a população sempre foi misógina, xenofóbica, homofóbica e racista, o que mudou foi a sensação maior de liberdade para expressar o que pensa, mesmo cometendo crimes de ódio por isso, que o errôneo anonimato de um perfil falso ou mesmo o distanciamento por uma tela de computador trouxe. Em síntese, é necessário que essas mesmos agentes midiáticos culminadores da problemática contribuam para mitigá-la.

Paralelo a isso, a ausência de posicionamento escolar quanto ao assunto é um impasse. No que concerne a isso, é mister buscar, nas ideias do pedagogo Paulo Freire, o enredo para a compreensão do que foi expalanado, já que para ele a educação é a principal arma responsável pela mudança da sociedade a partir de cidadãos mais cientes de seus direitos e deveres. Por esse viés, é vital que nas escolas seja abordado a relação entre liberdade de expressão e discursos criminosos nas redes, além do conhecimento das leis já existentes que criminalizam esses discursos, para que assim os alunos saibam que cometer esses atos pode ocasionar em punições severas e que, em caso de serem vítimas desses atos, saibam que medidas tomar para garantir seus direitos perante a Constituição Federal.

É necessario, portanto, que os atores sociais trabalhem frente ao problema. Para tanto, o Ministério da Comunicação deve promover uma concientização mediante aos crimes cibernéticos e como lidar com eles ao presenciá-los. Isso será feito por meio de propagandas e curtas metragens, disponíveis em sites online e canais de TV, a fim de estimular o senso crítico sobre a gravidade do assunto. Ademais, a escola deve iniciar debates e diálogos que discutam o exercício correto da liberdade de expressão, isso será realizado por intermédio de projetos e palestras, sendo esses eventos abertos também para a participação de pais e parentes, a fim de assegurar a exposição correta de ideiais. Dessa maneira, os cidadãos brasileiros se aproximarão mais do ideal de homem cordial que Sérgio Buarque acreditava.