Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais

Enviada em 19/08/2019

“A internet não criou idiotas, mas deu energia e proteção para o ódio dos covardes”. Lendo a frase do pensador Leandro Karnal e relacionando-a ao tema, percebe-se a necessidade de um olhar atento no combate à intolerância nas redes sociais, considerando sua importância para promoção de uma sociedade mais reflexiva, que, por consequência, tende a ser mais justa e humanizada.

A priori, deve-se entender que as redes sociais, como ferramenta de acesso à informação, revolucionaram o modo como as pessoas se comunicam nos dias atuais. Nesse sentido, cabe enfatizar a importância do Facebook na série de manifestações em defesa da democracia, ocorridas em vários países do mundo árabe em 2011, que ficaram conhecidas como Primavera Árabe. Por outro lado, a internet também transformou-se em um poderoso instrumento de disseminação de ódio, sobretudo em virtude da impunidade aliada à suposta possibilidade de anonimato dos usuários.

Nesse contexto, o código penal vigente no Brasil desde 1940 contribui para o cenário de injustiça, pois acaba deixando de punir casos recentes do mundo hodierno. Além disso, a premissa de justiça é ignorada até por quem acessa as redes sociais, basta ver o crescimento dos casos de discriminação registrados no ambiente digital. De acordo com dados da ONG Safernet, entre 2010 e 2013, aumentou em 200% as denúncias contra páginas que divulgaram conteúdos preconceituosos. Nota-se, então, um cenário incômodo de violência virtual a ser combatido.

Diante disso, urge a necessidade de resolver o problema. Para tanto, o Ministério da Justiça deve propor uma lei específica que puna severamente quem cometer crimes virtuais, evitando, assim, que a impunidade seja a razão da prática. Ademais, o MEC deve instituir nas escolas palestras ministradas por professores, que discutam o combate às práticas de intolerância na internet, a fim de conscientizar as futuras gerações. Feito isso, o pensamento do filósofo Pitágoras “Eduquem as crianças, para que não precise punir os adultos” será base para um futuro melhor.