Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais
Enviada em 23/08/2019
Segundo Jean-Paul Sartre, filósofo francês, o ser humano é livre e responsável, cabe a ele escolher seu modo de agir. Sendo assim, recai sobre o homem o dever de se tornar mais ético e consciente diante de suas atitudes. No mundo hodierno, os problemas advindos da intolerância e do discurso de ódio nas redes sociais, que trazem diversas consequências à progressão social, reflete essa realidade. Dessa forma, é necessário que o Estado — aliado à sociedade — encontre soluções para atenuar os efeitos de tal quadro.
Deve-se pontuar, de início, que a reprodução de práticas intolerantes e de discursos odiosos faz parte da história do homem. Na Idade Média, por exemplo, a violência com homossexuais era corriqueira. Contudo, na era pós-moderna, o advento e a popularização das redes sociais proporcionaram a criação de ambientes favoráveis à reunião de usuários motivados a agredir indivíduos, sobretudo, desfavoráveis socialmente, como negros, homossexuais e deficientes. Isso ocorre devido, principalmente, à noção de anonimato que a internet possui. Entretanto, segundo o Ministério de Segurança Pública, a polícia civil é capaz de identificar qualquer usuário que pratique crimes cibernéticos.
Nessa perspectiva, vale ressaltar que o debate ora proposto centrar-se-á também nos malefícios gerados às vítimas de tais crimes. Assim sendo, é importante destacar que o ataque às minorias em geral pode levar a vítima a um quadro depressivo, pois, conforme a Associação Brasileira de Psicologia, gatilhos psicológicos associados à noção de inferioridade podem ser ativados durante a prática do crime. Aliado a isso, os discursos de ódio — os quais são direcionados, em grande parte, a indivíduos fora do padrão social — ferem a imagem e o desenvolvimento pessoal do homem, que em quadros extremos e conturbados pode cometer suicídio.
Posto isso, medidas públicas são necessárias para alterar esse cenário caótico. O Ministério da Educação deve elaborar materiais didáticos, como pequenas histórias em quadrinhos, para alunos do ensino fundamental e médio, com um conteúdo que aborde acerca da importância de manter o respeito nas redes sociais e sobre o pseudo anonimato oferecido pela internet, conscientizando, desde cedo, os jovens. Em paralelo, o Poder Legislativo deve ampliar em 20% a duração de pena para condenados a crimes virtuais. Desse modo, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo da intolerância e do discurso de ódio nas redes sociais.