Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais

Enviada em 05/09/2019

Promulgada pela ONU, em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos tem o Brasil como signatário. Contudo, o aumento dos casos de discurso de ódio nas redes sociais sem um enfrentamento adequado pelas autoridades públicas vai de encontro aos compromissos firmados em 1948. A sensação de anonimato no ambiente virtual e o comportamento de massa dos indivíduos que utilizam esses meios de comunicação são catalisadores para a relevante frequência que esses discursos surgem nas redes sociais. Diante dessa perspectiva, é imperativo confrontar os aspectos relacionados com esse fenômeno social.

Mormente, é fulcral apontar que a sensação de anonimato no ambiente virtual facilita a ocorrência desses fenômenos. A ocultação da identidade encoraja alguns a propagar conteúdo racista, misógino, xenófobo dentre outras facetas do discurso de ódio. O mundo digital ameniza os freios morais que impedem as pessoas de terem comportamento semelhante fora do ambiente virtual. As últimas eleições presidenciais foram o pano de fundo perfeito para assistirmos, na internet, uma enxurrada de abusos ao direito de manifestação de pensamento. Portanto, é claro que relativo anonimato fornecido pelo ambiente virtual contribui para o externar de opiniões extremistas.

Nesse expediente, é importante avaliar que nem toda pessoa que pontualmente fez alguma postagem condenável é necessariamente um extremista. Os seres humanos são facilmente influenciados por um grupo. De acordo com Freud, no seu livro Psicologia das Massas e Análise do Eu, escrito em 1921, o psicanalista discorre sobre o poder que a massa tem de influenciar o comportamento do indivíduo, onde o superego, em certa medida, é sobrepujado pelo poder influenciador do grupo: é como se a pessoa entrasse em um estado de hipnose; tamanho é o poder de sugestão. Portanto, apesar de existirem pessoas realmente extremistas, grande parcela dessas condenáveis postagens é derivação da ressonância nefasta que a internet propicia a manifestações desses radicais.

Dessarte, medidas são necessárias para o combate à proliferação de discursos de ódio em redes sociais. Urge a necessidade do Governo Federal criar uma força-tarefa composta por policiais federais e civis, ambos integrantes de divisões de combate a crimes cibernéticos; objetivando uma ação conjunta, coordenada e eficiente para a identificação e responsabilização das pessoas que disseminam discursos extremistas incompatíveis com o estado democrático de direito. Espera-se assim enfrentar objetivamente o problema.