Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais

Enviada em 06/09/2019

George Orwell - autor do livro 1984 - ao temer que a radicalização política e a insatisfação econômica nos reduziriam a um estado de intolerância e agressividade, não pensava em uma distopia, mas em um grave alerta para o que a humanidade se tornaria no futuro. Nesse sentido, o crescimento de embates e discursos de ódio nas redes sociais evidenciam essa intolerância e conduzem as funcionalidades dos algoritmos e os limites éticos da liberdade de expressão para o centro do debate.

Assim, é fato que a manipulação de informações pelos algoritmos desenvolve nos usuários uma falsa ideia de liberdade, cria um ambiente de passividade e egolatria e favorece  a proliferação de discórdias. O filósofo Michel Foucault, por exemplo, fala em um estado de eterna vigilância, onde a percepção de controle que suscita um sinal de atenção entre os indivíduos. Nessa perspectiva, no ambiente virtual essa percepção se dissolve e o anonimato propicia a impunidade contra crimes de racismo, homofobia, calúnias e difamações, o que caminha para o esfacelamento de diversos princípios democráticos.

Justo por isso, o filósofo empirista John Locke foi um grande defender da liberdade política e da necessidade do Estado para a defesa da vida e da segurança dos indivíduos. Assim, a omissão do Estado e das mídias como Google, Facebook, e Twitter  perante a catalisação da cultura de ódio em rede é uma grave distorção dos limites éticos da liberdade de expressão e um risco para a própria ideia da democracia representativa. Mudar essa realidade, portanto, exige práticas políticas e educativas de aprimoramento do meio digital.

Para isso, é importante que as grandes empresas de tecnologia como o Google, Facebook e Twitter atuem com a criação e a ampliação de mecanismos de fiscalização de notícias falsas e discursos de ódio, o que pode ser feito com a limitação de alcance dessas páginas e punições para quem desrespeita as regras de uso. Por fim, é essencial que o Estado desenvolva estratégias de educação cidadã, através da escola, com aulas sobre ética, tolerância e táticas argumentativas para que com respeito e conhecimento o ódio e o preconceito sejam gradativamente minimizados.