Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais

Enviada em 20/09/2019

O Nazismo - filosofia ultranacionalista - consolidou-se com a proliferação da intolerância que objetivava desumanizar para, posteriormente, eliminar grupos étnicos considerados inferiores. Atualmente, as redes sociais possibilitam a disseminação desta prática nazista, pois há um crescimento do discurso de ódio e intolerância contra minorias nesses espaços, o que vai de encontro com ao respeito à dignidade humana. Com efeito, para reverter essa realidade intransigente, faz-se necessário desconstruir o anonimato no mundo online e a banalização do mal na sociedade contemporânea.

Sob essa perspectiva, evidencia-se que a possibilidade de criar perfis anônimos nas redes sociais facilita o discurso odioso. Nesse sentido, não há controle de quem entra nos espaços virtuais, o que gera o emponderamento dos indivíduos intolerantes, pois sentem-se livres para expressar seus preconceitos. Ocorre que os agressores utilizam do anonimato, isto é, criam contas falsas, para atacar homossexuais, negros e outros grupos com vulnerabilidade social, pois sabem que, por não usarem seus dados pessoais, raramente serão punidos. Dessa forma, para mitigar o ódio nas redes, é imprescindível abolir os perfis anônimos desse ambiente.

Ademais, a banalização da maldade na contemporaneidade viabiliza a intolerância virtual. A esse respeito, de acordo com Hanna Arendt, a sociedade atual normaliza o mal, pois as pessoas estão sendo hostis naturalmente. Nessa lógica, o ataque contra a dignidade dos outros é regra nas redes sociais, pois, por permitir a postagem de comentários intolerantes, esses locais potencializam a propagação de agressões, na medida que não há controle sobre as publicações. Logo, enquanto houver a normalização de discursos intransigentes, a intolerância cibernética continuará sendo realidade.

Torna-se importante, portanto, ressaltar a urgência de ações para frear a manifestação odiosa no ambiente virtual. Nesse contexto, as empresas detentoras das redes sociais devem impedir a criação de contas anônimas, por meio da exigência de fotos para o cadastramento de usuários, com intuito de inviabilizar que agressores escondam-se atrás de perfis falsos para propagar ódio contra minorias. Outrossim, a sociedade civil deve repudiar a banalização da intolerância, como acontece com mensagens ofensivas, por intermédio de debates nas mídias sociais. Essa medida visa transformar o espaço cibernético em um local que respeite as diferenças e que rejeite a normalização do mal. Assim, condenando a prática nazista, ou seja, a desumanização por meio do ódio, as redes sociais estarão livres das manifestações hostis.